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O silêncio eloquente dos generais do planalto

Com a prisão do ex-assessor Fabrício Queiroz na casa de um dos advogados da família do presidente Bolsonaro, o silêncio passou a imperar desde então.

O presidente que antes era ávido por declarações diárias sobre os mais diversos temas, se calou, mesmo diante de sua claque estacionada diariamente na porta do palácio da alvorada.

Desde então, foram poucas as manifestações públicas, resumindo-se a uma live desastrada, onde acabou justificando do porquê o tal assessor está em Atibaia e uma ou duas declarações sobre o Coronavírus, logicamente nenhuma com pesar sobre o número de mortos que já passam de 50 mil, nem muito menos sobre alguma nova ação concreta na área da saúde.

O que vemos deste então é um silêncio incomum, que segue a cada dia, inclusive nas redes de apoio bolsonaristas, que veem suas interações despencarem, segundo levantamentos divulgados na grande mídia.

Porém, um silêncio tem sido bastante eloquente e sintomático: os generais no planalto não emergiram nenhuma reação. Zero. Nenhuma defesa.

Estes mesmo que tuitavam apoio na questão da posição do presidente sobre o combate ao Coronavírus, ou que se apressavam em dar entrevistas ou lançarem cartas e manifestos em defesa daquilo que acreditavam serem ataques ao presidente, agora, se calam.

Ora, se o presidente estava sendo injustamente atacado antes e merecia defesa, manifestos que tinham tom inclusive de ameaças a democracia, por que logo agora, silenciam? Será que não conseguem defender o indefensável? Não confiam na versão apresentada? Ou querem se preservar?

Não há mais como estes generais se preservarem diante daquela imagem da reunião ministerial fatídica que todos se recordam, muito menos preservar a si ou a imagem do exercito diante da mais grave crise de saúde pública global com mais de 52 mil mortes no país, mais de 1 milhão e 200 mil infectados e que, sob a tutela de um militar que ocupa o cargo de ministro interino da saúde há quase 40 dias, impossível não serem igualmente responsabilizados.

É imperioso que todos sejam responsabilizados por seu grau de participação na nossa tragédia atual. Desde o cidadão que fura a quarentena e promove uma festa em casa,  passando pelos generais que defendem e administram a saúde nacional durante a pandemia, até chegar ao presidente, afinal de contas, não podem agora, quererem se eximir de suas responsabilidades e jogar o presidente sozinho na chuva.

O país que antes se cansava das muitas declarações dadas pelo presidente e seus generais, agora clamam para que falem! Esclareçam as dúvidas que pairam sobre o caso Queiroz e o Senador filho do presidente, assim como exigem que os generais falem, a começar pelo ministro interino da saúde, que desde que assumiu não deu nenhuma entrevista coletiva, nomeou militares sem experiencia na área de saúde em mais de 20 postos chaves no ministério e que, como ato, baixou portaria para uso de Cloroquina sem assinatura, coincidência ou não, em 40 dias temos atingidos os piores índices da pandemia.

Os generais precisam falar! Porque falar é dar as devidas respostas a sociedade da participação destes nos rumos do governo e do país. Falem generais! Queremos lhe ouvir!

Vitor Gantois – Bacharel em Direito pela Universidade Católica do Salvador, pós Graduado em Direito Público Municipal, pós Graduando em Docência do Ensino Superior, Superintendente Adjunto da Defesa Civil do Estado da Bahia, militante politico, já coordenou inúmeras campanhas eleitorais e é observador da cena politica e do cotidiano. 

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