Dia do Nordestino: a força de um povo que ajudou a construir o Brasil
Ser nordestino é muito mais do que nascer em um dos nove estados da região. É carregar uma história, uma cultura, uma maneira própria de falar, de receber, de trabalhar, de festejar e de enfrentar as dificuldades.

O Nordeste é o forró de Luiz Gonzaga e Dominguinhos, o frevo de Alceu Valença, a poesia de Patativa do Assaré, o tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil, a voz de Maria Bethânia, Gal Costa e Alcione, a música de Djavan, Belchior, Fagner, Zé Ramalho, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Chico Science, Chico César, João Gilberto, Dorival Caymmi, Ivete Sangalo e tantos outros artistas que levaram a identidade nordestina para o Brasil e para o mundo.
É também a literatura de Jorge Amado, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego, João Ubaldo Ribeiro, Castro Alves, Manuel Bandeira e Gonçalves Dias, entre tantos escritores que transformaram as paisagens, os personagens, as dores e os sonhos nordestinos em grandes obras da literatura brasileira.
Mas ser nordestino também é conhecer as dificuldades. Durante décadas, milhões de nordestinos deixaram sua terra em busca de oportunidades, principalmente no Sul e no Sudeste. Muitos ajudaram a construir cidades, trabalharam em fábricas, na construção civil, no comércio, no campo e em inúmeros outros setores.
Mesmo assim, o preconceito muitas vezes acompanhou essa migração. O sotaque virou motivo de piada, a origem foi utilizada para tentar diminuir pessoas e o Nordeste foi reduzido, durante muito tempo, à imagem da seca e da pobreza.
Mas o Nordeste nunca foi apenas isso.
O Nordeste é cultura, inteligência, criatividade, fé, trabalho, resistência e diversidade. É o cordel, o repente, o carnaval, o São João, o maracatu, o frevo, o baião, o axé, o samba de roda e tantas outras manifestações que fazem parte da identidade brasileira.
Ser nordestino é aprender com a dificuldade sem perder a capacidade de sonhar. É transformar sofrimento em arte, saudade em música, memória em cultura e resistência em esperança.
Neste Dia do Nordestino, celebrar o Nordeste é também reconhecer sua contribuição para o Brasil.
Porque o Nordeste não é apenas uma parte do país.
O Nordeste é literatura. É música. É arte. É história. É identidade. É Brasil.
E ser nordestino é ter orgulho de carregar tudo isso.
Adriano Wirz – Publicitário, apresentador do programa Brasil 360º pela REDE SDP TV e editor do Bahia Alerta e Diretor de Turismo da cidade de Itapetinga Bahiae dos direitos das mulheres.



