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E daí presidente, é uma gripezinha?

Hoje confirmou-se o que muito se suspeitava: O presidente está com o Coronavírus. Apresentando quadro gripal desde sábado, como cansaço e mal estar, o presidente realizou exames na segunda em um hospital e o resultado positivo saiu no dia seguinte, dia 07.

De cara, desejamos uma rápida e pronta recuperação ao presidente, assim como desejamos a cada um dos brasileiros que se infectam, aliás, numa média de 40 mil por dia no país!

A confirmação da infecção do presidente pelo Corona vírus, chega numa hora bastante peculiar, onde a palavra “isolado” tem dupla conotação.

Primeiro, o presidente se encontra nas cordas, desde que o seu amigo e antigo assessor do filho fora preso num sitio pertencente ao advogado da família Bolsonaro. Demonstrando apatia e isolamento político, o presidente se emudeceu, sumindo dos holofotes e evitando dar declarações. Isolado politicamente e institucionalmente ele sumiu.

Isto leva ao segundo isolamento: Fisicamente este também se isolou. Não ocorreram mais os encontros com apoiadores e sua claque na porta do palácio, nem muito menos o mesmo se dirigiu aos seus apoiadores que todo domingo aglomeravam-se pedindo inúmeras coisas, como o fechamento do congresso e o supremo e o presidente era figura cativa, ou alguém se esquece do sobrevoou de helicóptero ou sua chegada a cavalo?

Quem não se recorda deste período de exposição da duvida se o presidente tinha se infectado e o mesmo proferir frases como que não iria mostrar os exames, que se sentiu constrangido em sua intimidade ou que, para sua segurança, trocou de nome na hora de fazer os dois exames no hospital militar?

Frases como “e dai?”, “não sou coveiro”, “gripezinha” e “sou atleta” marcam bem esse período em que todo o planeta buscou o isolamento social e lamentou seus mortos e nosso presidente insistia em negar, minimizar e desrespeitar todas as regras de isolamento social, transparência publica e a seriedade do problema.

Mas não é que, duplamente isolado, com sua popularidade em queda inclusive entre seus apoiadores mais fieis e, estranhamente, isolado fisicamente, eis que o presidente acaba infectado pelo novo coronavírus?

Ao menos o modus operandi agora é diferente né mesmo? Agora o presidente foi até o hospital fazer exames e diferentemente das vezes que não queria divulgar e pela alegada segurança, usou seu nome verdadeiro e rapidamente divulgou o resultado positivo, dizendo inclusive que iria respeitar o distanciamento social e se isolar. Um pouco mais não é mesmo?

O que se espera, realmente, é que o presidente caia em si e neste isolamento mais que forçado e que muito vem a calhar na ocasião, reflita sobre os seus atos e do seu governo e como isso repercutiu na vida e na morte de muitos brasileiros nos últimos meses.

Torcemos que seu histórico de atleta, o uso de hidroxicloroquina que o mesmo já alardeou estar usando e o descanso, tragam o resultado e o presidente se recupere, não passando para ele, diferente dos 66 mil mortos no Brasil, de uma gripezinha.

Vitor Gantois – Bacharel em Direito pela Universidade Católica do Salvador, pós Graduado em Direito Público Municipal, pós Graduando em Docência do Ensino Superior, Superintendente Adjunto da Defesa Civil do Estado da Bahia, militante politico, já coordenou inúmeras campanhas eleitorais e é observador da cena politica e do cotidiano. 

 

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