Bahia

Fevereiro laranja: campanha busca conscientizar doadores de medula

Realidade de muitas famílias brasileiras, a leucemia é uma das principais doenças que atingem a medula óssea. Com a pandemia, a redução de cadastros no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) afetou, particularmente, quem está há mais tempo na fila do transplante, aguardando encontrar um doador compatível. Só na Bahia, essa queda representou 60% dos cadastros em relação a 2019.  

Hoje, segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), são 729 pacientes no país em busca ativa de um doador compatível, 25 deles da Bahia. A estimativa é de mais de 10 mil brasileiros a cada ano descubram a leucemia – 5.920 casos em homens e 4.890 em mulheres. 

O engenheiro Luan Luz, de 28 anos, foi uma das pessoas beneficiadas em 2019 pelo Redome, banco do Sistema Único de Saúde (SUS), que cadastra e verifica a compatibilidade de pessoas voluntárias para a doação de medula no país. Graças aos mais de cinco milhões de brasileiros cadastrados no Redome, Luan conseguiu um doador 100% compatível para doar a medula óssea que curaria uma leucemia mieloide aguda.

Luan morava na Austrália em 2018, quando descobriu a doença. Percebeu que o seu cansaço durante as partidas de futsal eram incomuns, mas não associou à leucemia. Somente após o aparecimento de alguns sintomas virais e uso de medicamentos, sem êxito, que foi buscar ajuda médica para entender o que estava acontecendo.  

“Estava na minha melhor forma física e de saúde. Os exames em dia, clinicamente tudo ok. Aí comecei a sentir febre, dores, corpo mole e achei que fosse uma virose qualquer, uma gripe, algo do tipo. Mas não passava, mesmo com medicação”, relata.  

O diretor da Hemoba Fernando Araújo e também médico hematologista e oncologista, explica que o transplante de medula óssea é um tratamento indicado para pessoas com doenças como leucemias, linfomas, doenças do sistema imune em geral, dos gânglios e do baço, e de anemias graves (adquiridas ou congênitas). 

“O tratamento geralmente envolve a destruição da medula doente, para o paciente receber a medula sadia. A nova medula, rica em células progenitoras, produz glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas suficientes para que as taxas fiquem dentro da normalidade, fazendo com que a pessoa se recupere e possa ter uma vida saudável após o transplante”.  

Os transplantes podem ser autogênicos, quando a medula vem do próprio paciente; alogênicos, quando a medula vem de um doador que pode ser aparentado ou não, ou partir do próprio cordão umbilical de um(a) irmão(ã) compatível. A doadora Rhayssa Andrade, de 29 anos, se cadastrou como doadora voluntária na Hemoba de Itaberaba e foi convidada pelo Redome em novembro de 2020 para realizar uma doação alogênica não aparentada (para uma pessoa desconhecida) pela segunda vez.

“Eu nem esperava! Na primeira vez aceitei, mas a pessoa morreu antes da doação acontecer. A segunda vez, fui para Natal, no Rio Grande do Norte, com tudo custeado pelo SUS. Foram 4h realizando o procedimento, mas foi tranquilo, graças a Deus. A euforia e a alegria de poder doar para uma pessoa, mesmo não sabendo quem é, não tendo contato, vale muito a pena. Faria tudo novamente”, conta sobre procedimento recente. 

Sobre o cadastro

Para se cadastrar como doador de medula óssea é preciso ter entre 18 e 55 anos de idade e boa saúde. O voluntário deve ir ao hemocentro público da sua cidade, onde será feita a coleta de uma amostra de 5 a 10ml de sangue para a tipagem de HLA (exame de histocompatibilidade, que identifica as características genéticas de cada indivíduo).  

Os dados ficam no cadastro do Redome e, sempre que surgir um novo paciente, a tipagem será verificada. Confirmada a compatibilidade (geralmente é uma para 100 mil pessoas), o doador será consultado para decidir quanto à doação.  

A doação é realizada ou por uma máquina de aférese, similar a usada pelos doadores de plaquetas, ou por punção – diretamente da região da medula —, e precisa de internação de no mínimo 24h.  

Dados

Em 2020, 10 baianos conseguiram realizar o transplante de medula óssea. Hoje a Bahia tem 25 pacientes em busca ativa de doador compatível e no Brasil são 729 pessoas. 

O transplante pode ser realizado em qualquer um dos 70 centros de transplantes de medula óssea em todo país e todos os procedimentos são custeados pelo SUS.  

Fevereiro Laranja

Campanha nacional, que tem o objetivo de conscientizar à população sobre a leucemia e a importância da doação de medula óssea. A doença ocupa a nona posição nos tipos de câncer mais comuns em homens e a 11ª em mulheres.

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