Bahia dá resposta no Ba-Vi, domina o Vitória e recupera confiança no Brasileirão
Tricolor encerra sequência de cinco empates com vitória por 2 a 0 no Barradão, apresenta evolução tática e volta a mirar a parte de cima da tabela

O Bahia encontrou no clássico contra o Vitória a resposta que vinha procurando há semanas. Em uma das atuações mais consistentes da temporada, o Tricolor venceu o Ba-Vi 508 por 2 a 0, no Barradão, e encerrou uma sequência de cinco empates consecutivos no Campeonato Brasileiro.
Mais do que o resultado, a vitória chamou atenção pela maneira como foi construída. O Bahia apresentou uma estratégia clara, controlou boa parte das ações do jogo e conseguiu criar um volume ofensivo que não vinha sendo apresentado nas últimas rodadas. A atuação também serviu para recuperar a confiança da equipe na briga por uma vaga na Libertadores.
Ceni acerta nas escolhas
Rogério Ceni fez apenas duas mudanças em relação ao empate diante da Chapecoense. Erick ganhou espaço no meio-campo, enquanto Kike Olivera foi escolhido para iniciar o ataque diante das ausências de Ademir e Kauê Furquim.
A estratégia permitiu ao Bahia atuar em um 4-3-3 quando tinha a bola, com os pontas abertos, e mudar para um 4-4-2 na fase defensiva, com Kike recuando para formar a segunda linha de marcação.
O resultado foi uma equipe mais equilibrada e capaz de controlar o setor central do campo. A saída de bola também funcionou melhor, alternando passes curtos e lançamentos para os atacantes. Erick Pulga apareceu como uma das principais válvulas de escape do time.
Bahia cresce durante o jogo
O Tricolor terminou o primeiro tempo em vantagem nas oportunidades criadas. As principais chances vieram pelo lado esquerdo, justamente um dos setores mais produtivos da equipe.
Erick Pulga teve uma boa oportunidade após passe de Luciano Juba, enquanto Erick quase abriu o placar de cabeça depois de cruzamento de Rodrigo Nestor.
O Vitória conseguiu encontrar alguns espaços pelos lados e levar perigo em bolas cruzadas, mas o Bahia conseguiu neutralizar uma das principais armas do adversário: os lançamentos longos em direção ao ataque.
Na segunda etapa, o Bahia voltou mantendo a presença no campo ofensivo. A equipe, porém, diminuiu o ritmo em determinado momento e passou a atuar mais recuada.
Foi justamente quando o Vitória parecia ganhar espaço que o Tricolor encontrou a jogada para abrir o placar.
Aos 21 minutos, Erick Pulga recebeu a bola em uma saída rápida e cruzou para Alejo Véliz. O atacante argentino atacou o espaço na pequena área e cabeceou sem chances para o goleiro Lucas Arcanjo.
Jean Lucas fecha a conta
Depois do gol, Ceni colocou Jean Lucas no lugar de Erick e passou a explorar ainda mais os contra-ataques.
O Bahia teve oportunidades para ampliar. Jean Lucas acertou a trave e Kike Olivera também desperdiçou uma chance.
O Vitória ainda teve duas oportunidades perigosas na reta final e chegou perto de empatar, especialmente em jogadas de bola aérea.
Ceni então promoveu novas mudanças para manter a intensidade. Michel Araújo e Ruan Pablo entraram nas vagas de Rodrigo Nestor e Erick Pulga.
Michel teve uma oportunidade cara a cara com o goleiro, mas também participou diretamente do segundo gol. Depois de uma boa jogada, ele encontrou Jean Lucas, que apareceu dentro da área para marcar e confirmar a vitória por 2 a 0.
Números mostram superioridade
A atuação também se refletiu nos números. O Bahia finalizou 24 vezes, sendo sete chutes no alvo, em um volume ofensivo superior ao apresentado nas últimas partidas.
O Tricolor também conseguiu controlar o meio-campo e neutralizar a bola longa do Vitória, dois fatores apontados como fundamentais para a construção da vitória.
A equipe chegou aos 37 pontos e ocupa a sexta colocação do Campeonato Brasileiro, mantendo-se próxima da zona de classificação para a Libertadores.
Vitória no clássico muda o ambiente
A vitória chega em um momento importante para Rogério Ceni. O técnico completou 200 jogos à frente do Bahia justamente no período em que enfrentava maior cobrança pela sequência de empates e pela queda de rendimento da equipe.
Depois do clássico, Ceni destacou a concentração dos jogadores e afirmou que o time encontrou uma maneira de criar oportunidades e transformar essas chances em gols.
O treinador também defendeu Kike Olivera, que voltou a ser titular, e ressaltou a importância do trabalho tático do atacante na pressão sobre a defesa do Vitória.
Ceni resumiu a atuação como uma mudança importante de narrativa: a sequência de cinco partidas sem vencer ficou para trás e pode ser substituída por uma série de jogos sem derrota. O desafio agora é transformar a atuação no Barradão em padrão para o restante do campeonato.
Próximo desafio será na Fonte Nova
Com o clássico encerrado, o Bahia terá uma semana para trabalhar antes do próximo compromisso.
O Tricolor recebe o Internacional no próximo domingo, às 19h30, na Arena Fonte Nova, pela 25ª rodada do Brasileirão.
A missão é clara: aproveitar a confiança recuperada no Ba-Vi, somar mais três pontos e tentar alcançar a marca de 40 pontos, objetivo destacado por Ceni após a vitória.
O clássico mostrou que o Bahia ainda pode sonhar alto no Campeonato Brasileiro. Mais do que vencer o rival, o Tricolor reencontrou uma característica que havia desaparecido nas últimas rodadas: controle, intensidade e capacidade de criar oportunidades em quantidade.
Agora, resta saber se o Ba-Vi 508 será apenas um ponto fora da curva ou o início da retomada definitiva do Bahia na luta por uma vaga na Libertadores.



