Política

Sessão especial reverenciou os filhos e as filhas de santo

A Assembleia Legislativa, em sessão especial, homenageou os filhos e as filhas de santo. O proponente da homenagem deputado Jacó (PT) falou da importância dos Yaos, como são conhecidos nas religiões de matrizes africanas, e sobre a valorização dessas pessoas. O evento aconteceu na manhã desta quinta-feira (2), no Auditório Jorge Calmon.
 
“Os Yaos são a base do candomblé, figuras importantíssimas para a religião e, que, geralmente, são invisíveis na estrutura do candomblé”, disse o petista. O idealizador da homenagem foi o Pai William de Oxalá, do terreiro Ilê Axé Opô Babá Obatalademy, ele disse que o projeto de valorização dos Yaos e Muzenzas foi criado em parceria com 16 terreiros e surge como resposta a um histórico de humilhações e maus tratos sofridos por iniciados.
 
Durante o evento, as falas dos presentes se davam entre relatar as experiências pessoais dentro do candomblé, com todos os percalços e dificuldades. O deputado Jacó acredita ser importante o reconhecimento e o respeito aos iniciados e que isso precisa ser estimulado dentro dos próprios terreiros.
 
O pai de santo William de Oxalá lembra que a conduta do Yao dentro de uma casa é muito importante para o equilíbrio da instituição: horários, rituais, obrigações, estudos e designação das hierarquias.
 
Catarina Matos, Atalogi Digina, representante das Yawos, agradeceu pela homenagem realizada pela Casa Legislativa que é importante aos Yawos serem vistos nesse projeto de continuidade de uma cultura ancestral. “Nós somos o futuro do candomblé”.
 
Durante toda sessão, terreiros se revezaram e apresentaram cânticos, batuques e danças ao auditório que estava cheio de religiosos e praticantes do candomblé.
 
Os Yaos são os filhos de santo que já passaram pela iniciação no candomblé e no batuque, popularmente conhecido como “feitura de santo”, mas que ainda não completaram o período de 7 anos após a iniciação. Passado esse tempo, o Yao pode se tornar um Ebomi.
 
INTOLERÂNCIA RELIGIOSA
 
Segundo Jacó, o preconceito religioso tem como pano de fundo o racismo institucional do Brasil, sedimentado com a prática da escravidão. “Devido ao nosso passado escravista, tudo o que se relaciona à cultura negra é desprezado e, até mesmo, demonizado”.
 
“A liberdade de crença é um direito previsto na Constituição. Não podemos tolerar desrespeito sob nenhum aspecto, muito menos o religioso”, frisou o deputado Bira Corôa (PT). “Infelizmente, a intolerância ganhou mais espaço desde a posse do presidente Jair Bolsonaro, pois ele autoriza o desrespeito aos direitos básicos”, completou.
 
Gutierres Barbosa, secretário nacional do setorial inter-religioso do PT, que é evangélico, disse que todas religiões têm seu lugar e qualquer ataque deve ser reprimido. “É preciso que as pessoas tenham conhecimento sobre as tradições de todas as religiões, porque recebemos estigmas equivocados que dizem que as religiões de matriz africana são como adoração ao satanás. E sei que isso não pertence ao credo de vocês”.
 
HOMENAGEM
 
Durante o evento, Mãe Daniela recebeu homenagem em nome dos Yaos. Certificados foram entregues, bem como 100 troféus, a babalorixás e ialorixás.
 
Participaram do evento: a Ialorixá Mãe Leu; Tatta Mutalêsi; Ogã Benedito de Ogun, representante do mandato da vereadora Marta Rodrigues.
 
 
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