Internacional

Presidente do Irã rejeita pressão dos EUA e defende diálogo em discurso na ONU

Masoud Pezeshkian afirmou que Teerã não abrirá mão de seu programa nuclear e criticou ações de Estados Unidos e Israel durante a Assembleia Geral

 

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, fez nesta quarta-feira (23) um discurso marcado por críticas aos Estados Unidos e a Israel durante a 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Em meio à guerra entre o Irã, os Estados Unidos e Israel, o líder iraniano afirmou que seu país não aceitará pressão militar ou econômica para abandonar seu programa nuclear, mas declarou que Teerã continua aberto ao diálogo e às negociações.

Pezeshkian afirmou que o Irã não pretende desenvolver armas nucleares, mas defendeu o direito do país de manter um programa nuclear para fins civis. Segundo ele, a tecnologia nuclear não deveria ser restrita a um grupo limitado de países.

Críticas aos Estados Unidos e a Israel

Durante o discurso, o presidente iraniano acusou Estados Unidos e Israel de ataques contra civis e apresentou fotografias de crianças mortas, segundo relatos da imprensa internacional. Ele também exibiu uma imagem do ex-líder supremo iraniano Ali Khamenei, cuja morte foi atribuída por Teerã a uma ação conjunta de Estados Unidos e Israel.

Pezeshkian classificou os iranianos como vítimas de terrorismo e rejeitou a caracterização do país como uma ameaça terrorista. As acusações fazem parte da posição apresentada pelo governo iraniano, enquanto Estados Unidos e Israel mantêm acusações próprias contra Teerã e seus aliados regionais.

A delegação norte-americana deixou o plenário durante o início do discurso iraniano, enquanto a delegação israelense também não acompanhou a fala.

Estreito de Hormuz

Outro ponto central da fala foi o Estreito de Hormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte internacional de petróleo.

Pezeshkian afirmou que o Irã não aceitará que a passagem seja utilizada para ações que, segundo Teerã, contribuam para ataques contra o próprio país. O governo iraniano também apresentou condições relacionadas ao funcionamento da rota marítima como parte das discussões diplomáticas com os Estados Unidos.

Porta aberta para negociações

Apesar do tom de confronto, Pezeshkian afirmou que o Irã está disposto a negociar.

“Estamos prontos para o diálogo, a diplomacia e as negociações, mas sem aceitar a linguagem da força.”

A declaração ocorre após contatos entre representantes iranianos e norte-americanos em Nova York, realizados com mediação do Catar. Segundo autoridades iranianas, Teerã apresentou condições que incluem o fim das hostilidades, a suspensão do bloqueio naval e de sanções, a liberação de ativos iranianos e acordos relacionados à navegação no Estreito de Hormuz.

Disputa sobre o programa nuclear

A questão nuclear permanece como um dos principais pontos de tensão entre Irã, Estados Unidos e Israel. Washington afirma que o Irã não pode obter uma arma nuclear, enquanto Teerã sustenta que seu programa tem finalidade pacífica e rejeita abandonar o desenvolvimento da tecnologia nuclear.

No discurso, Pezeshkian também questionou o que classificou como tratamento desigual entre países da região e defendeu que questões de segurança do Oriente Médio sejam discutidas pelos próprios países da região.

O discurso ocorreu um dia depois de Donald Trump fazer ameaças contra o governo iraniano durante sua própria participação na Assembleia Geral. Trump também afirmou que Washington estava avaliando caminhos diplomáticos para encerrar o conflito.

As declarações de Pezeshkian reforçaram, assim, duas posições apresentadas simultaneamente por Teerã: rejeição à pressão militar e econômica e manutenção da disposição para negociar por vias diplomáticas.

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