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Revitalização dos jornais impressos.

Diante de tantas agressões e até assassinatos contra profissionais de imprensa, na Bahia, passando por longos meses de pandemia da Covid-19, a força da mulher sertaneja foi a fonte de inspiração das jornalistas premiadas com as reportagens “O Sertão é feminino”, de Fernanda Santana, e a “Pérola do Sertão” de Hilza Cordeiro, do jornal Correio da Bahia.

A notícia, logo pela manhã, foi “Correio vence Prêmio Semear Internacional de Jornalismo” e a boa notícia veio em dobro, foram duas jornalistas, duas matérias premiadas. A primeira que li naquele sábado, 31 de julho.

O Prêmio Semear Internacional de Jornalismo foi do impresso, minha gente. Sabemos que o esforço profissional e dedicação de toda equipe, faz a diferença, e por isso parabenizo as jornalistas Fernanda Santana e Hilza Cordeiro, a sua editora-chefe, Linda Bezerra, e a editora do fim de semana, Mariana Rios, pelo Prêmio Semear Internacional, conquista do jornal Correio da Bahia.

Entendo que o impresso preserva a memória, melhora a auto-estima da sociedade, emprega e gera renda, serve como fonte de pesquisa e estudo de toda uma geração. O impresso tem um valor na história espetacular. Como diz o jornalista e ex-presidente da Associação Brasileira de Imprensa, Domingos Meirelles, “os textos jornalísticos reproduzidos em papel são eternos, além de representarem uma fonte permanente de consulta historiográfica”. Parabéns ao Correio da Bahia por preservar esse importante instrumento de referência do cotidiano que é o noticiário em papel.

Este acontecimento, premiação de duas jornalistas de um jornal impresso baiano, me fez lembrar do nosso projeto de revitalização dos jornais impressos do interior, destinado para a criação de projetos gráficos e editoriais com o objetivo de tornar as publicações mais ágeis e atraentes, além de oferecer modernas técnicas de gestão para que os veículos de mídia impressa possam melhor enfrentar a concorrência das novas plataformas digitais que estão mudando drasticamente os negócios no universo da comunicação. Partindo do princípio de que a sobrevivência do jornal impresso é fundamental para a preservação da memória nacional, consolidação da identidade política, econômica e social de um povo, e após as novas tecnologias digitais, pela sua natureza volátil, não conseguem documentar o tempo, o espaço, a causalidade, os hábitos, costumes, e a narração dos episódios que compõem a rotina do homem comum.

A revitalização para a mídia impressa, além de oferecer uma pluralidade de narrativas e diferentes leituras, exerce importante papel como guardiã fidedigna da história escrita. Sua implantação seria realizada, nas redações de origem dos veículos, com a presença de uma equipe de profissionais do jornalismo: Diretor jornalista, Editor, Diagramador e Revisor selecionados a dedo para tal fim. A ideia inicial era que um técnico do “SEBRAE”, seria responsável pela organização contábil, gestão e administrativa da empresa, que na ocasião já estava tudo acertado para iniciar as visitas técnicas às redações dos jornais que aderiram ao projeto.

Projeto idealizado pelo jornalista Domingos Meirelles, um apaixonado pela mídia impressa, e conduzido pelo conselheiro e representante da ABI na Bahia, à época, Fábio Costa Pinto, foi apresentado oficialmente durante a II Conferência do Jornal Grande Bahia (JGB), do jornalista Carlos Augusto, na cidade de Feira de Santana, interior da Bahia em 2017.

Em sua apresentação, o Domingos Meirelles relatou que a ABI e as demais entidades participantes do projeto partilham do entendimento que a permanência do jornal impresso é fundamental para a preservação da própria memória nacional. “A mídia impressa oferece pluralidade de narrativas e diferentes leituras, e exerce destacado papel como guardiã fidedigna da história escrita. Não se pode fazer um estudo da memória de uma nação sem conhecer como agiam os atores desse passado”, destacou Meirelles.

O noticiário do jornal impresso, o chamado registro do cotidiano, é considerado importante fonte primária pelo mundo acadêmico. Do ponto de vista historiográfico, ele possui a mesma credibilidade de um documento oficial. A adesão estava sendo primorosa pela sua importância e necessidade dos veículos impressos, em diversas cidades e regiões baianas.

A implantação do programa foi estimada, naquele momento, em R$ 30.000,00 (trinta mil reais) por veículo, uma mixaria para o governo.

O custo englobaria o desenvolvimento do projeto gráfico e editorial, além das despesas com o deslocamento de uma equipe de cinco profissionais que seria responsável pela implantação das mudanças recomendadas no projeto criado.

O investimento para a implantação das diferentes etapas do projeto em 15 veículos foi orçado em R$ 450.000,00. Com o pagamento de impostos, além das despesas de viagem, alimentação, hospedagem, etc, da equipe de trabalho, na época, com o custo final de R$ 500.000,00. Pouco, não, pouquíssimo, uma gorjeta, diante do que é cobrado por empresas internacionais, empresas que revitalizaram alguns jornais brasileiros renomados nacionalmente. E para uma Secom da vida, este valor se perde nos numeros pagos em propaganda dos governos.

Os veículos que confirmaram interesse na participar do programa de revitalização gráfica e editorial da pequena e média imprensa do interior da Bahia foram: o Jornal “A TRIBUNA”, o “Jornal do Sudoeste”, em Brumado, o “Jornal Agora” de Itabuna, Jornal “Gazeta dos Municípios”, Jornal “Diário de Ilhéus”, Jornal “Novoeste” / “Editora Oeste”, em Barreiras, a “Revista Cotoxó”, “Jornal Repórter” de Salvador e região metropolitana, o Jornal “Diário Bahia”, da cidade de Itabuna, a “Tribuna Regional”, o Jornal “A Semana”, de Vitória da Conquista, a “Sua Cidade Revista”, de Alagoinhas, o centenário jornal “A Cachoeira”, e “O Guarany”, ambos da cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano.

Cada jornal inscrito no projeto enviou, naquela época, exemplares físicos à sede da ABI, no Rio de Janeiro, para serem diagnosticadas as mudanças que deveriam ser introduzidas em cada publicação. Os responsáveis pelos jornais relacionados também responderam, em caráter reservado, às informações de natureza técnica e financeira solicitadas pelo projeto. Esses dados foram encaminhados ao SEBRAE, na Bahia, para serem equacionados os problemas de gestão. A implementação dessa iniciativa realizada nas redações de origem com a presença de três profissionais: dois jornalistas selecionados pelo projeto e um técnico de SEBRAE, responsável pela reorganização contábil e administrativa da empresa.

A procura era tamanha que outras 15 publicações tinham entrado em contato com a presidência da ABI manifestando interesse em participar do projeto, sendo ao todo 30 veículos de diferentes cidades do interior da Bahia.

O projeto foi apresentado à Secretaria de Comunicação do Governo do Estado com apoio da Assembleia Legislativa da Bahia, através da presidência da casa, e pelo SEBRAE.

O curioso foi que a Secom do Estado inicialmente mostra interesse e depois engaveta o projeto. Seria paixão pelo digital? Ou direcionamento de gestão da Secretaria de comunicação do governo? Sabemos que com a falta de apoio a projetos dessa natureza, estamos assistindo a morte lenta ou descontrolada dos impressos baianos, levando a nossa história junto com a auto-estima da sociedade.

A mídia impressa, além de oferecer uma pluralidade de narrativas e diferentes leituras, exerce importante papel como guardiã fidedigna da história escrita. Não se pode fazer um estudo da memória de uma nação sem conhecer como agiam os atores desse passado.
Agora eu pergunto, estão matando e agredindo jornalistas e profissionais da imprensa em todo o Brasil e na Bahia não está sendo diferente, mas com um agravante, estão morrendo os impressos também e, consequentemente, os empregos. Projeto tem, jornais impressos também, profissionais, muitos bons por sinal, a Bahia tem. E a gaveta, entrando para a história.

Na esperança de que possamos acordar com notícia de que nossos colegas estão sendo premiados e os impressos vivos. Rezamos ao senhor!

*Fábio Costa Pinto é jornalista, sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa – ABI, formado pela ESPM do Rio de Janeiro com pós em, MBA em Mídia e Comunicação Integrada pela FTE/UniRedeBahia e estudante do curso de Direito.

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