Cultura

Prefeitura apoia primeiro espetáculo brasileiro encenado totalmente em iorubá Detalhes

Primeiro espetáculo brasileiro totalmente encenado na língua iorubá, QUASEILHAS estreia nova temporada no Mercado Iaô, na Ribeira. As apresentações começam nesta quarta-feira (10) e seguem em cartaz até o dia 4 de maio, sempre de quarta a sábado, às 19h, e com ingressos que custam R$ 20 e R$ 10 (meia).

A proposta da peça vai além da associação com o texto do espetáculo. Segundo o diretor, Diego Pinheiro, será um momento de deixar fluir a experiência sensorial, visual, tátil e olfativa. Toda essa experiência ocorrerá na Península Itapagipana, lugar que historicamente foi ocupada por negros de etnia ijexá, de origem na Nigéria.

É a partir desse lugar que o público fará uma reconexão com as suas origens, com a história de seus antepassados que, de alguma maneira, ainda se fazem presentes nas memórias. “Acho que essa é a mensagem, que as pessoas negras criem suas reconexões, que, a partir de suas memórias existenciais, possam criar suas memórias afro-diaspóricas”, afirma Diego. O diretor também escreve e assina a instalação cenográfica do espetáculo.

O que dá forma ao texto é o oríkì, gênero da literatura iorubá cujas obras são feitas de forma oral ou declamada. Na cultura iorubana, o oríkì faz elogio a um povo, a uma comunidade, país ou ancestral. No palco, eles serão utilizados pelos alarinjós (artistas performáticos, que cantam e dançam enquanto caminham), que vão contar de maneira não linear as memórias familiares de Diego, representadas pela fala, dança e canto.

Diego Pinheiro viveu a experiência dos palafitas nos Alagados de Itapagipe e, conversando com a sua avó, descobriu que a sua família de terceira geração falava iorubá, de uma maneira crioula (com palavras do Português) e a chamava de “trocar língua”. A descoberta o motivou a fazer a peça toda em iorubá.

“As pessoas não são fluentes em iorubá em Salvador, ou no Brasil, mas é um idioma que permeia a cultura soteropolitana. A cultura iorubana está muito presente, a exemplo do acarajé, muito parecido com o acará feito na Nigéria. A língua é como se fosse um familiar estranho que, na peça, vai nos lançar para as experiências sensoriais”, diz.

Estreada em abril do ano passado, QUASEILHAS conta com o apoio da Prefeitura, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM). Os ingressos podem ser comprados antecipadamente pela internet ou com uma hora de antecedência no local. As vendas estão sujeitas à lotação.

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