Religião

Campanha da Fraternidade Ecumênica propõe diálogo como compromisso de amor entre os cristãos

Pela quinta vez, a Igreja Católica Apostólica Romana no Brasil se une às outras Igrejas do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) para realizar mais uma Campanha da Fraternidade Ecumênica, que tem como tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”, e como lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef 2, 14a). Como acontece todos os anos desde que teve início em 1961, a Campanha da Fraternidade é lançada na Quarta-feira de Cinzas, dia em que os cristãos recordam a passageira e frágil vida humana, e dão início ao Tempo Quaresmal. Na Arquidiocese de Salvador, a Campanha da Fraternidade foi apresentada aos jornalistas em coletiva de imprensa.

Logo no início, o Cardeal Dom Sergio leu a mensagem do Papa Francisco sobre a CFE 2021. “Nós vamos ter ocasião, certamente, de conhecer melhor esse texto, mas eu quis como abertura desse momento tão especial da Campanha da Fraternidade Ecumênica expressar a proximidade do Papa Francisco com a sua oração e também com o seu apoio”, destacou o Arcebispo.

Ao lado do Cardeal Dom Sergio da Rocha estiveram a pastora Sônia Mota, da Igreja Presbiteriana Unida e diretora executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE); o pastor Joel Zeferino, da Igreja Batista Nazareth, membro da Aliança Batistas do Brasil, que integra o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e integrante da Comissão Nacional de preparação para a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021; a reverenda Bianca Daébs, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, membro da coordenação colegiada do Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs do Brasil ligado ao CONIC e assessora para ecumenismo e diálogo inter-religioso da CESE; e o diácono Itamar Mendes, presidente da diretoria executiva da Ação Social Arquidiocesana (ASA), responsável por desenvolver as ações da Campanha da Fraternidade na Arquidiocese de Salvador.

Para o Pastor Joel Zeferino, a CFE 2021 quer potencializar o amor e encontro entre as pessoas para que, deste modo, a fraternidade seja possível. “Realmente, essa é a concretização de um sonho que começou a ser gestado em 2019. O primeiro encontro da Comissão para definir, inclusive, qual seria o tema dessa Campanha foi em dezembro de 2019. Todo o material da Campanha da Fraternidade Ecumênica procurou dar concretude a essa fraternidade que era o sonho que nós gestávamos e ansiávamos. Interessante que ao mesmo tempo em que estávamos produzindo o tema, estava saindo a carta pastoral do Papa Francisco e estava sintonizado com o espírito do que nós estávamos pensando como Comissão no momento”, afirmou o pastor Joel Zeferino.

De acordo com o Texto-base, preparado pela Comissão Nacional da Campanha da Fraternidade Ecumênica, a iniciativa visa refletir sobre possíveis caminhos para o diálogo e a construção de pontes de amor e paz. “Mais uma vez podemos nos unir, apesar das nossas diferenças. Esse é um momento muito bonito: nós não precisamos negar a identidade do outro para afirmar a nossa fé no Deus de amor, de esperança, no Deus da vida; e esse compromisso de amor é um compromisso dentro e é um compromisso fora desse espaço. Nós somos convidados a firmar um compromisso de amor, quando damos testemunho desse amor à nossa sociedade, afirmou a pastoral Bianca.

Os cristãos também são chamados a denunciar as diferentes violências praticadas e legitimadas indevidamente em nome de Jesus. “Jesus nunca orientou seus discípulos e discípulas a criarem inimizades e perseguirem outras pessoas em seu nome. As palavras de Jesus sempre foram orientadas para que as pessoas assumissem compromissos em defesa da igualdade e do diálogo”, assevera o Texto-base da CFE. “Esta já é a quinta Campanha da Fraternidade Ecumênica e nós estamos aqui celebrando, e isso nos deixa felizes, porque sem dúvida nenhuma uma Campanha da Fraternidade é um exemplo de que é possível, sim, que pessoas cristãs, de Igrejas de diferentes tradições, possam sentar-se à mesa comum para dialogar, para celebrar e para construir pontes”, disse a pastora Sônia.

Para alcançar o objetivo geral, que é convidar “as comunidades de fé e pessoas de boa vontade a pensarem, avaliarem e identificarem caminhos para superar as polarizações e violências através do diálogo amoroso, testemunhando a unidade na diversidade”, a Campanha da Fraternidade Ecumênica propõe, entre outras ações, a redescoberta da força e da beleza do diálogo, o comprometimento com as causas que defendem a casa comum. “Perseveramos muito na unidade dos cristãos. Essa perseverança é que vem, assim, junto com o tema ‘compromisso de amor’. Hoje vocês estão aqui nesse compromisso de amor pela nossa Igreja, pelo Povo de Deus, pelas pessoas mais necessitadas, e a Ação Social Arquidiocesana tem esse braço de solidariedade para com o povo, onde nós atuamos, seja aqui na capital, na Ilha e na Região Metropolitana de Salvador. A partir disso, nós temos o olhar de que nossos irmãos necessitados precisam da ajuda de todos e nessa unidade, nessa força, nessa alegria de cristãos nós podemos promover essas ações”, destacou o diácono Itamar Mendes.

Como em anos anteriores, a Campanha da Fraternidade Ecumênica está dividida nos métodos “Ver”, “Julgar” e “Agir”. A partir do método “Ver”, os cristãos são convidados a refletir, observar e compreender a partir do olhar de Jesus. É, também, nesta primeira parte que a sociedade é alertada sobre os diversos olhares que conduzem à morte: desigualdade, abandono, aborto, desemprego, falta de condições básicas de saúde, automutilação, agressões, acidentes de trânsito, ataques contra os diferentes povos, feminicídios e conflitos por terra e água. O “Ver” faz um convite para que haja conversas sobre os recentes acontecimentos, bem como a observar os caminhos que permitem alternativas e saídas coerentes com a Boa Nova do Evangelho.

No método “Julgar” a CFE 2021 aborda, a partir da inspiração bíblica do lema (Ef 2, 14a), a possibilidade de lançar luzes sobre o atual contexto. É nesta etapa que os cristãos são convidados a abrirem os corações e as mentes para reconhecerem a proposta de Jesus, assim como aconteceu com os discípulos de Emaús (Lc 24, 30).

No método “Agir” são indicadas ações concretas permeadas com a disposição em servir. Conforme o Texto-base da CF, “o ‘Agir’ – a partir de experiências de boas práticas realizadas pelo CONIC, indicaremos exemplos que podem contribuir para derrubar os muros das divisões. Esses exemplos são respostas á paz de Cristo, que é oferecida para nós incondicionalmente. Elas são semelhantes à alegria dos discípulos de Emaús que, ao reconhecer Jesus, voltam para Jerusalém, a fim de contar a Boa-Nova: Cristo ressuscitou – a vida triunfou, e não a violência”, aponta o Texto-base.

Além dos métodos Ver, Julgar e Agir, este ano os cristãos são também convocados a Celebrar. Este é o “momento de afirmar que a diversidade presente na Criação não é negativa, mas é a revelação da imensa e irrestrita amorosidade de Deus para com a humanidade. Não há nada que justifique a inimizade e a anulação da diversidade humana. Somos quem somos porque Deus nos criou pessoas diversas. Como exemplo disso, consideramos como paradigmática a conversão do apóstolo Paulo, que passou de perseguidor violento das primeiras comunidades cristãs a uma pessoa que promoveu a coexistência das comunidades e a superação dos preconceitos entre judeus e gentios”, aponta o Texto-base.

Subsídios

Além do Texto-base, outros materiais foram produzidos para dar apoio nesta missão: círculos bíblicos, que trazem aprofundamento da Palavra de Deus; sugestão de celebração ecumênica, para reunir pastores e representantes de outras Igrejas na preparação desse evento; a Cartilha Fraternidade Viva, rodas de conversa com a perspectiva de aprofundar-se no tema e a Vigília Eucarística e Celebração da Misericórdia.

Pensando nos jovens, a Comissão para a Juventude da CNBB preparou um material que é direcionado a juventude das diversas realidades eclesiais, para que sejam contagiados pela Luz de Cristo. Aos educadores, por ter um papel fundamental na sociedade, fazendo com que os educandos sejam sempre esclarecidos sobre a sua realidade e as possibilidades de melhor desenvolver a sociedade, foi preparado subsídios para o Ensino Fundamental I e II, Ensino Médio e Ensino Superior.

Campanha da Fraternidade Ecumênica

Realizada pela primeira vez em 1961, pela Cáritas Brasileira, a Campanha da Fraternidade foi crescendo ano a ano sempre com os objetivos que visam “despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho; e renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na nova evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária (todos devem evangelizar e todos devem sustentar a ação evangelizadora e libertadora da Igreja)”.

A Campanha da Fraternidade é lançada sempre na Quarta-feira de Cinzas – dia em que tem início a Quaresma – e as atividades como, por exemplo, formações, palestras, encontros e mobilizações acontecem ao longo de todo o ano.

Texto: Sara Gomes                                                                                                                                                                                                             Fonte: Arquidiocese de São Salvador

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