Política

Assembleia celebra os 38 anos da Uneb

Um ato virtual para celebrar, na Assembleia Legislativa, o aniversário de 38 anos da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), na manhã desta quinta-feira (10), reafirmou a importância da capilaridade da instituição de ensino, tendo como características a proximidade com a sociedade baiana e a geração de oportunidades para ingresso no ensino superior em diversos territórios do Estado. O evento, transmitido pelas TV ALBA e TV UNEB, foi comandado pelo deputado Osni Cardoso (PT), ex-estudante da universidade e proponente da homenagem, que reuniu, remotamente, personagens importantes da comunidade universitária, como gestores, professores, estudantes, servidores, lideranças sindicais e de movimentos sociais e representantes das categorias de trabalhadores da própria Uneb.

Pedagogo formado no Campus XI, em Serrinha, o petista atribuiu a sua iniciação política à Uneb, com a atuação no movimento estudantil, sendo por duas vezes coordenador do DCE. “A Uneb é a paixão da gente! Eu fui o primeiro em meu povoado a prestar vestibular; depois, esse sonho passou a ser fomentado e mais pessoas foram prestando o exame. Tenho um orgulho imenso de ter feito parte de uma instituição que continua a dar oportunidade a tantos baianos”, afirmou o parlamentar durante o ato, também dedicado à memória do professor Lourisvaldo Valentim, ex-reitor entre anos 2007 a 2013.

O reitor José Bites definiu a trajetória da instituição como exemplo de resistência e ousadia, pela contínua formação de profissionais para as diversas áreas através do ensino, pesquisa e extensão, e sua política de inclusão e ações afirmativas durantes os anos. Para ele, é salutar comemorar os 38 anos da Uneb nesse momento de turbulência política e ideológica, de ameaça aos investimentos em educação, congelados com a chamada PEC (n.º 95) da Morte, e de descaracterização intelectual das universidades públicas, “com a negação da ciência, certamente com a intenção de eliminar a produção e divulgação livre do conhecimento crítico”.

Segundo o reitor, a Uneb é a maior instituição pública de ensino superior multicampi do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil, presente em todo o território baiano com 24 campi, dois campi avançado, 29 departamentos, sete centros de pesquisa, e 263 grupos de pesquisa registrados no CNPQ. “Somos hoje mais de 28 mil estudantes, 2.621 professores, 2.500 funcionários entre servidores públicos e terceirizados, 134 cursos de graduação, 27 Programas Pós-graduação stricto sensu e 17 cursos de graduação na modalidade à distância”, enumerou. Em sua fala, Bites relatou os feitos de gestores que o antecederam, a exemplo de Lourisvaldo Valentim e da professora Ivete Sacramento, além do professor Edivaldo Boaventura, criador da universidade e seu primeiro reitor.

Assim como o reitor, a pró-reitora de Extensão da Uneb, Adriana Marmori, destacou que a instituição alcançou, esse ano, o conceito 4 na mais recente avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Para os gestores, esse tento corrobora com a defesa de uma universidade gratuita, inclusiva, popular e de qualidade. Para Marmori, não é à toa o sentimento de pertencimento ao celebrar 38 anos “da maior universidade pública do Norte e Nordeste, a nossa Uneb, a universidade dos índios, dos negros e negras, dos filhos e filhas dos trabalhadores, das famílias campesinas, da comunidade LGBTQI+, das pessoas deficientes, dos jovens, adultos e idosos, das comunidades de quilombo, cigana e circense”.

A fala da ex-reitora Ivete Sacramento, que foi responsável pela implantação da política de cotas, emocionou a todos. “A Uneb é minha casa e ela nasceu pra incluir, e isso dói! Nós nascemos pra incluir, não estamos aqui pra fazer de conta”, disse a ex-gestora, reafirmando o lema da “oportunidade para atingir a igualdade”. Sacramento se dirigiu ao deputado Osni com orgulho, pois via nele “a vitória de todos os nossos egressos da Uneb” e ratificou o caráter multicampi como uma ousadia do seu idealizador Edivaldo Boaventura, “de fazer chegar a educação superior de qualidade a todos os cantos que foram necessários”.

Representando o secretário estadual da Educação, Jerônimo Rodrigues, o coordenador de Projetos Estratégicos da pasta, Marcius Gomes, ressaltou que a data reafirma a universidade como uma instituição inovadora, que tem chegado a todos os cantos da Bahia, respeitando o pluralismo e os traços de identidade regionais.

Unebiana de formação, a professora Erica Nogueira, representante do Fórum de Diretores de Departamento, relatou como a gestão setorial, com 30 departamentos espalhados no estado, dão a noção exata “da magnitude da instituição”, onde sua força e desafio estão em atender sua diversidade e dimensão territorial. Membro da direção executiva da Associação dos Docentes (Aduneb), a professora Nilza Martins, disse que a política de interiorização da Uneb oportunizou sua entrada na universidade, em Barreiras. “A universidade me deu oportunidade de ser mestre e de ser doutora. Nós realmente somos a universidade de toda a Bahia”, descreveu. Nilza defendeu também urgência na revisão dos salários dos professores, “há sete anos sem reajuste nos vencimentos”.

Seu pleito foi fortalecido pela fala de Firmino Júlio, diretor do Sindicato dos Servidores em Educação de Terceiro Grau do Estado da Bahia (Sintest), que relatou ainda o esforço da categoria para realizar o trabalho durante a pandemia. Gustavo Mascarenhas, presidente do DCE da Uneb, chamou a atenção para a necessidade de fortalecer as políticas de permanência e assistência estudantil durante a crise sanitária. O estudante sugeriu também a destinação de 7% da receita líquida de impostos arrecadados pelo Estado da Bahia para as universidades estaduais. A mesa do ato virtual, que finalizou com imagens do ex-reitor Valentim, contou ainda com a presença do professor Marcelo Pinto, que é diretor do Centro de Estudos dos Povos Afro-Índio Americanos (Cepaia).

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