Política

Arcebispo de Feira de Santana dom Zanoni Demettino Castro recebeu Comenda 2 de Julho

A Assembleia Legislativa encerrou o mês homenageando um líder religioso que orienta o povo católico na maior cidade do interior da Bahia. Com o plenário lotado de amigos, parentes, diáconos, padres, freiras, representantes de ordens religiosas e de organizações sociais, dom Zanoni Demettino Castro, arcebispo metropolitano de Feira de Santana, recebeu nesta quinta-feira (30) a Comenda 2 de Julho, a mais alta honraria concedida pela Casa das Leis. A sessão especial foi uma proposição do deputado Angelo Almeida (PSB), que exaltou a personalidade marcante do bispo, “um homem dedicado aos projetos sociais, preocupado com a valorização da cultura negra e um incansável combatente na luta em favor da democracia”.
 
 
Depois da execução do Hino da Bahia, o arcebispo emérito de Feira de Santana, dom Itamar Vian, saudou os presentes e abençoou a todos rezando o Pai Nosso. Em seguida, o proponente da reunião discursou, enaltecendo a trajetória do filho de Vitória da Conquista que nasceu em 1962, foi ordenado padre em 1986 e, durante sua vida, assumiu muitas missões, tanto em terras baianas quanto no Estado do Espírito Santo. Angelo Almeida lembrou que o papa Francisco tem convidado a todos a viver uma Igreja sinodal, que caminha junto e aproxima leigos e religiosos em uma missão contínua de espalhar o Evangelho. Para o socialista, dom Zanoni faz parte da Igreja que está cada vez mais conectada às pessoas reais, com problemas reais, como a fome, a falta de moradia, a violência e a miséria.
 
 
O parlamentar destacou a atuação do arcebispo de Feira de Santana, um ser humano que considera diferenciado por suas falas, orientações, posicionamentos e ações. “Isso pode ser evidenciado nos atos mais cotidianos, como jogar capoeira no Pelourinho, uma atitude que conquistou toda a Bahia, ou em um feito inédito e corajoso, que chamou a atenção do mundo, como a instalação da Paróquia de São Roque, a primeira paróquia Quilombola do Brasil, no distrito da Matinha”, afirmou. O deputado agradeceu a dom Zanoni, em nome dos baianos e baianas, por ajudar na construção dessa Igreja, movendo os muros por onde tem passado. O autor da homenagem justificou a condecoração em razão do religioso ter “aquela inquietação por uma Igreja justa e humana e por essa inquietação permanecer como chama acesa, viva em seu coração e na sua fé”.
 
TEMPLO SAGRADO
 
Emocionado, ao ser distinguido com a medalha, o arcebispo dom Zanoni Demettino Castro frisou ser motivo de honra e profunda alegria vir a essa Casa, templo sagrado da democracia, receber a Comenda 2 de Julho. “Compreendo esta concessão, não como uma honra pessoal, mas como o reconhecimento da comunidade eclesial da qual pertenço, presente e atuante na gestação da sociedade, na formação do seu povo e no desenvolvimento de sua cultura”, pontuou o religioso, reiterando que a sua tarefa é a mesma do deputado Angelo, em busca de despertar a sensibilidade pela verdade, pela justiça e pela paz. Citando os versos do Hino ao 2 de Julho (“nunca mais, nunca mais o despotismo…Regerá, regerá nossas ações …, ) dom Zanoni recordou que as mulheres, os negros e os indígenas foram os protagonistas desse memorável acontecimento.
 
 
Ao comemorar o início dos 200 anos da Independência da Bahia, o arcebispo pediu que a gente não se esqueça de personagens como Maria Quitéria, a abadessa do Convento da Lapa, Joana Angélica, Maria Felipa e o Corneteiro Lopes, figuras que lutaram pela liberdade contra o domínio português no país. “Descolonizar as mentes, o conhecimento, recuperar a memória histórica, fortalecer os espaços e relacionamentos inter culturais são condições para a afirmação da plena cidadania desses povos. Nenhuma luta contra as forças da tirania logrará êxito sem a efetiva participação do povo; das suas lideranças e das suas organizações”, garantiu.
 
 
Para dom Zanoni, ao receber a comenda, a missão episcopal é iluminada e alargada, vai além dos muros e ambientes eclesiais. Mencionou ainda um diálogo que o papa Francisco teve com os movimentos sociais, convidando a não sermos indiferentes às situações concretas em que os pobres vivem: “Não se entende que o amor pelos pobres está no centro do Evangelho. Terra, teto e trabalho – isso pelo qual vocês lutam – são direitos sagrados. Reivindicar isso não é nada raro, é a Doutrina Social da Igreja”, concluiu o homenageado.
 
 
DESVALIDOS
 
 
Maurício Vasconcelos, pronunciando-se em nome do Instituto dos Advogados Brasileiros, salientou que há muito tempo o sacerdote desenvolve ações em defesa dos desvalidos, das pessoas mais fracas, da população afrodescendente. Para o advogado, falar de dom Zanoni “é lembrar da Revolta dos Malês, da Revolta dos Búzios, da Revolução dos Alfaiates, do 2 de Julho, todos movimentos sociais que tiveram a comunidade afrodescendente como protagonista”. Monsenhor Josenery de Almeida, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Jacuípe, disse que a entrega da medalha é um dia histórico para toda a Arquidiocese de Feira de Santana. Ele demonstrou gratidão ao Parlamento baiano, por agraciar o bom pastor dom Zanoni, “um homem que tem dignidade e cidadania no seu elevado espírito”.
 
 
Quem também fez uso da palavra franqueada foi Clóves Cabral, da Pastoral Afro Latino Americana e Caribenha, entidade que congrega cerca de 150 milhões de pessoas negras nesta região. O padre comunicou que de 22 a 25 de setembro deste ano, em Salvador, será realizado o 10º Congresso Nacional de Entidades Negras Católicas. Amigo de longas datas de dom Zanoni, ele advoga a presença de mais padres negros, mais religiosos negros, mais freiras negras no âmbito da Igreja Católica e ressalta a importância do arcebispo metropolitano no apoio de três pontos fundamentais: o combate ao racismo estrutural, institucional e sistêmico; a convivência interreligiosa com respeito às diferenças; e, finalmente, a promoção da equidade racial.
 
 
A sessão especial foi encerrada em clima de festa, com direito a bolo e cântico de parabéns a dom Zanoni Demettino Castro, que desde 2015 assumiu o cargo em Feira de Santana, e no último dia 23 de janeiro de 2022 completou 60 anos de vida. Participaram da reunião, compondo a mesa, o prefeito de Tanquinho, José Luiz dos Santos Reis; a religiosa da Congregação Sacramentinas e presidente da Instituição Dispensário Santana, irmã Rosa; e o ex-deputado estadual Yulo Oiticica, atual superintendente da Sutrag.
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