Economia

Juros cobrados das famílias chegam a 64% ao ano e permanecem em patamar elevado, aponta Banco Central

Taxa média do crédito para pessoas físicas subiu em junho, enquanto inadimplência e comprometimento da renda das famílias seguem elevados.

Os juros cobrados das famílias brasileiras continuam em níveis elevados. Dados divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Banco Central (BC) mostram que a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas chegou a 64% ao ano em junho, registrando aumento de 1,2 ponto percentual em relação a maio e de 4,6 pontos percentuais na comparação com o mesmo período do ano passado. 

O levantamento faz parte das Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central e revela que, além dos juros elevados, as famílias continuam enfrentando altos índices de inadimplência e um grande comprometimento da renda com o pagamento de dívidas. 

Crédito continua mais caro

O aumento das taxas acompanha o cenário de política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para controlar a inflação. Com isso, operações como empréstimos pessoais, financiamentos e crédito rotativo permanecem mais caras para os consumidores.

Segundo o BC, a elevação dos juros impacta diretamente o custo do crédito, dificultando o acesso a novos financiamentos e aumentando o valor das parcelas para quem já possui dívidas. 

Inadimplência segue elevada

O relatório também mostra que a inadimplência das famílias continua elevada, refletindo as dificuldades enfrentadas por muitos brasileiros para manter as contas em dia.

Além disso, uma parcela significativa da renda das famílias permanece comprometida com o pagamento de empréstimos e financiamentos, reduzindo o espaço no orçamento para consumo e investimentos pessoais.

Empresas também enfrentam crédito mais caro

O aumento dos juros não afeta apenas as pessoas físicas. As empresas também continuam encontrando custos elevados para contratar crédito, o que pode limitar investimentos, expansão dos negócios e geração de empregos.

Mesmo com esse cenário, o estoque total de crédito no país continua crescendo, impulsionado pela demanda por financiamentos tanto de famílias quanto de empresas.

Banco Central monitora cenário

As Estatísticas Monetárias e de Crédito são divulgadas mensalmente pelo Banco Central e servem como um dos principais indicadores para acompanhar o comportamento do mercado financeiro, da concessão de empréstimos e do nível de endividamento da população.

Especialistas avaliam que a trajetória dos juros dependerá da evolução da inflação, da atividade econômica e das futuras decisões de política monetária adotadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

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