Salvador concentra duas das maiores favelas do Brasil; mais de 1 milhão de pessoas vivem nessas áreas
Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, revelam a dimensão das desigualdades sociais e urbanas na Bahia. Beiru/Tancredo Neves e Pernambués estão entre as 11 maiores favelas do país.

Salvador aparece entre as cidades brasileiras com maior concentração de população vivendo em favelas. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3), duas localidades da capital baiana estão entre as maiores do Brasil em número de moradores.
Beiru/Tancredo Neves lidera o ranking estadual, com 38.871 habitantes, ocupando a 10ª posição nacional. Logo atrás está Pernambués, com 35.110 moradores, na 11ª colocação entre as maiores favelas brasileiras.
O levantamento mostra que as cinco maiores favelas da Bahia estão localizadas em Salvador. Além de Beiru/Tancredo Neves e Pernambués, aparecem Valéria, com 21.635 moradores; Bairro da Paz, com 20.509; e Santa Cruz, com 19.833 habitantes.
Bahia tem 1,37 milhão de pessoas vivendo em favelas
O retrato apresentado pelo IBGE revela uma realidade preocupante: aproximadamente 1,37 milhão de pessoas viviam em favelas na Bahia em 2022, o equivalente a 9,7% da população estadual. Com esse número, o estado ocupa a quarta posição nacional em população residente nesses territórios.
Salvador concentra a maior parcela desse contingente. São 1.033.258 pessoas vivendo em favelas, o equivalente a 42,7% da população da capital. Na prática, mais de quatro em cada dez soteropolitanos residem nessas localidades.
Fora da capital, a maior favela baiana é Teotônio Vilela, em Ilhéus, com 12.788 habitantes.
O estado contabilizou 572 favelas, correspondendo a 4,6% das 12.348 identificadas em todo o Brasil. Dos 417 municípios baianos, 28 registraram a presença dessas localidades.
Salvador concentra 262 favelas, representando 45,8% do total estadual. A capital ocupa a quinta posição entre as cidades brasileiras com maior quantidade dessas áreas.
Na sequência aparecem Feira de Santana, com 49 localidades; Camaçari, com 47; Lauro de Freitas, com 35; e Itabuna, com 34.
O levantamento também revela diferenças importantes no perfil demográfico dos moradores de favelas em comparação com o conjunto da população baiana.
As mulheres representam 53,4% dos habitantes dessas localidades, percentual superior aos 51,7% registrados na população geral do estado.
Outro dado que chama a atenção é a composição racial. Nas favelas baianas, 39,2% dos moradores se autodeclaram pretos, quase o dobro da proporção encontrada no conjunto da população estadual, que é de 22,4%.
A população idosa também apresenta participação menor nesses territórios. Pessoas com 60 anos ou mais representam 12,7% dos moradores de favelas, enquanto na população baiana em geral esse percentual chega a 15,3%.
Além dos dados populacionais, o Censo revela diferenças significativas nas condições de infraestrutura e urbanização.
Nas favelas baianas, apenas 40,1% dos moradores vivem em ruas com calçadas ou passeios. Fora dessas localidades, o índice chega a 78,8%.
A arborização também é um problema. Cerca de 74,5% dos moradores de favelas vivem em ruas sem árvores, enquanto nas demais áreas urbanas do estado esse percentual é de 51,8%.
A acessibilidade apresenta um cenário ainda mais preocupante: somente 1,5% dos moradores dessas localidades vivem em vias com rampas para cadeirantes. Fora das favelas, o percentual é de 10,9%.
Os números do IBGE mostram que o problema das favelas brasileiras não se resume à falta de habitação. Trata-se também de uma questão de planejamento urbano, infraestrutura, saneamento, mobilidade, acessibilidade e acesso aos serviços públicos.
A realidade de Salvador, onde mais de 1 milhão de pessoas vivem nesses territórios, evidencia a dimensão do desafio para o poder público.
O levantamento reforça a necessidade de políticas públicas permanentes de urbanização, regularização fundiária, melhoria habitacional e ampliação dos serviços essenciais, garantindo dignidade e melhores condições de vida para milhões de brasileiros.









