Bahia

Parceria: mineradoras e comunidades geram desenvolvimento

Boas práticas socioambientais buscam a melhoria da qualidade de vida das pessoas

Os percentuais de crescimento da mineração baiana continuam positivos e, nesse caminho, a responsabilidade social das empresas segue produzindo frutos não apenas na vida de colaboradores, mas, principalmente, nas comunidades onde as unidades estão inseridas. A Produção Mineral Baiana Comercializada (PMBC) alcançou a marca de R$ 5,2 bilhões de faturamento, no primeiro semestre de 2022, um crescimento de 26% em relação ao mesmo período do ano passado, quando chegou aos R$ 4,1 bilhões. Os bons resultados seguem com a arrecadação tributaria, de janeiro a junho deste ano, a CEFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) chegou aos R$ 95 milhões, com um aumento expressivo de 33% em relação aos primeiros seis meses de 2021, quando foram arrecadados R$ 71 milhões.

“O interessante nesse contexto de resultados favoráveis é observar a relação entre empresa e comunidade, quando as instituições privadas dialogam e correspondem às expectativas das administrações públicas e da sociedade civil, ao incluírem as boas práticas de gestão nas estratégias de negócios. É preciso ter em mente que as iniciativas em busca de desenvolvimento devem incluir todas as pessoas e a preservação do meio ambiente. A cada ano, mais empresas estão aderindo a esse posicionamento, seja por convicção ou pela pressão do mercado investidor e da opinião pública”, diz Antonio Carlos Tramm, presidente da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM).

Gestão para o bem comum

Dentre as iniciativas de mineradoras baianas que buscam gerar impactos sociais positivos e criam formas de atender aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) listados na agenda da Organização das Nações Unidas (ONU), estão os exemplos que resultam da parceria entre a mineradora e a população local podem ser vistos na Região Norte da Bahia, onde a Ero Brasil Caraíba (Mineração Caraíba) realiza a produção de cobre nas cidades de Jaguarari, Juazeiro e Curaçá. A empresa mantém 24 projetos sustentáveis com foco na preservação ambiental e na melhoria da qualidade de vida das pessoas. Por meio de parcerias com instituições locais e lideranças comunitárias, são feitos investimentos em ações nas áreas de educação, qualificação profissional, cultura, esporte e empreendedorismo.

Alguns desses projetos foram desenvolvidos a partir da necessidade operacional da empresa, com a construção da Adutora Caraíba e o processo de concessão feito pela Agência Nacional de Águas (ANA). Ao utilizar a água do Rio São Francisco, na região de Juazeiro, a Ero Brasil Caraíba faz a água chegar em várias comunidades e desenvolve programas de criação de pulmões verdes e hortas comunitárias, que incentivam o cultivo de alimentos sem uso de agrotóxicos. O pequeno agronegócio, agricultores familiares e moradores de localidades como Pilar, Massaroca e Carnaíba do Sertão são beneficiados com irrigação e abastecimento de água através da adutora, que tem 84 quilômetros de extensão.

Reconhecimento de potencialidades

É parte da compreensão da responsabilidade social que as empresas não se limitem aos benefícios proporcionados aos próprios colaboradores, mas que estendam suas ações para além dos seus portões. Como na região na qual está, a caprinocultura e a ovinocultura são fortes, com a comercialização de carne, leite e derivados, a Ero Brasil passou a proporcionar cursos de qualificação técnica para pequenos produtores e estabeleceu parcerias com cooperativas.

“Além de ser uma geradora de recursos para a região, a Ero Brasil Caraíba realiza investimentos e projetos para a criação de outras cadeias econômicas, por meio do fortalecimento e fomento do comércio local, tendo a caprinovinocultura como um dos modelos de extensão dessas atividades e como mais uma forma de potencialização econômica que contribui para o desenvolvimento sustentável”, diz André Germani, gerente de Sustentabilidade.

Entre os empreendimentos beneficiados estão a Cooperativa Sabor do Sertão, que fica no distrito de Poço de Fora, em Curaçá, e a Cooperativa Mãos do Campo, localizada no distrito de Pilar, em Jaguarari. Para realizar a produção e comercialização de leite de cabra, cremes de queijos, iogurte e ricota, a Ero Brasil atuou na construção das instalações e na aquisição de equipamentos para dos dois laticínios, que são certificados pela ADAB (Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia). Além da geração de renda, o apoio às cooperativas promove sociabilidade e crescimento pessoal.

“Atualmente, são mais de 40 cooperados envolvidos nas atividades, que vem evoluindo com a comercialização dos produtos em várias cidades do estado da Bahia tendo como principal apoiadora a empresa Ero Brasil Caraíba, com a disponibilidade de apoio financeiro, treinamentos e acompanhamento técnico. Eu e todos os cooperados somos gratos à empresa pelo apoio e pelas oportunidades oferecidas às comunidades, por acreditar no potencial  dos produtores, por ajudar as pessoas a se tornarem independentes e empreendedoras”, declara  Eugênia Ribeiro Félix, presidente da Sabor do Sertão e representante comercial da Mãos do Campo.

O trabalho da Ero Brasil com as cooperativas mostra que se não é possível que as empresas consigam integrar nos próprios quadros todas as pessoas que precisam de trabalho e de renda, elas podem encontrar formas de proporcionar qualificação e mecanismos para que as pessoas cresçam a partir de potencialidades individuais ou dos locais onde elas vivem.

“É importante que as empresas tenham o maior número possível de colaboradores que moram nas localidades, contudo, é mais importante que se crie uma cultura da não dependência de renda das pessoas com a empresa, por isso é fundamental que a empresa se comprometa em realizar qualificações para a comunidade, dessa forma, as pessoas e grupos podem ter oportunidade de atuar como parceiros dessas empresas, fazendo a renda girar dentro da própria comunidade/região”, diz a pesquisadora Nádia dos Santos da Conceição, doutora em Cultura e Sociedade, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), que realizou o estudo “Meio ambiente e Cultura: a necessidade de políticas públicas interdisciplinares para comunidades impactadas pela mineração na Bahia”.

Pioneirismo

Além da Ero Brasil, outras mineradoras realizam ações voltadas às comunidades do entorno e elas tiveram o caminho aberto pela Companhia de Ferro Ligas da Bahia (FERBASA), que funciona há 61 anos e atua nas áreas de mineração, metalurgia e de recursos florestais. A empresa sempre utilizou as boas práticas que fazem parte do conceito ESG (Ambiental, Social e Governança), por orientação do seu fundador José Corgosinho de Carvalho Filho, uma tradição que se mantém através dos tempos. Uma das principais iniciativas da FERBASA está na área da educação, com projetos integrados ao esporte, à arte e à cultura, além do desenvolvimento rural e comunitário. A companhia tem empresas em várias cidades do interior baiano, entre elas Campo Formoso, Euclides da Cunha, Rafael Jambeiro e Tucano.

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