Política

Nilma Gomes: Lula ampliará Lei de Cotas e combaterá liberação de armas

Em sabatina na Folha de S.Paulo, ex-ministra afirmou que a Fundação Palmares será reconfigurada após desmonte de Bolsonaro

Nilma Gomes, ex-Ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, na gestão Dilma Rousseff falou nesta terça-feira (13) em nome da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin para o jornal Folha de S.Paulo, que está organizando uma sabatina sobre racismo com representantes de candidatos à Presidência da República.

Na ocasião, ela disse que um novo governo do Partido dos Trabalhadores terá preocupação especial com a juventude negra, ampliando a Lei de Cotas para a pós-graduação, combatendo a liberação de armas de fogo e criando políticas de prevenção da violência.

“A gente tem caminhado e amadurecido mais numa denúncia histórica que o movimento negro sempre fez, de mostrar que sempre houve uma relação entre violência e racismo e a insegurança pública e o racismo. Hoje nós estamos mais maduros para implementar um programa em que essas questões apareçam para nós de outra forma”, declarou.

Nilma explicou que, com a experiência de Lula, o racismo estrutural será combatido com prioridade, uma vez que todas as políticas públicas planejadas de alguma forma beneficiarão a população negra, citando como exemplo a valorização do Sistema Único de Saúde, a volta do Mais Médicos, a Farmácia Popular e a saúde das mulheres.

Outro eixo abordado na entrevista foi a reconfiguração da Fundação Palmares, desvirtuado no Governo Bolsonaro, e a reconstrução de políticas para quilombolas, que não existem mais desde que Michel Temer assumiu o poder.

“Nós precisamos retomar nossa democracia, que está tão em risco em tempos tão extremos, e sem igualdade racial não há democracia, e sem democracia não há igualdade racial. Esse é o aprendizado que trazemos nessa campanha que estamos fazendo e que o presidente Lula certamente irá retomar”, garantiu.

Defender as cotas

Durante a entrevista, Nilma defendeu o legado do Partido dos Trabalhadores e afirmou que a política de cotas só foi possível por causa de Lula, que escutou o movimento como nenhum presidente tinha feito até então.

“No Governo Lula nós pavimentamos o que aconteceu em 2012, que foi a lei de cotas, porque seu primeiro ato, em 2003, alterou a Lei de Diretrizes e Bases e introduziu o ensino de história e cultura africana nas escolas públicas. Ainda em 2003 veio a regulamentação e regularização das terras quilombolas. Em 2009 nós tivemos a política nacional de saúde integral da população negra. Em 2010 tivemos o Estatuto da Igualdade Racial”, explicou.

“Então, nós fomos pavimentando o caminho, e esse projeto de 1999 [Lei de Cotas] que estava sendo discutido, ele foi tendo um caminho pavimentado de políticas de igualdade racial, construídas nos governos do PT, em função dessa luta histórica do movimento negro, de uma escuta desse movimento, até nós chegarmos numa votação unanime e inédita do STF que declarou a constitucionalidade do princípio das ações afirmativas, que era uma coisa muito bacana”, disse.

A ex-ministra também chamou atenção de que os resultados obtidos através do debate sobre estudantes negros permitiram ampliar o programa, após diálogo com a sociedade e outros movimentos, para incluir alunos de escola pública, pessoas de baixa renda, indígenas e deficientes na Lei de Cotas. “Esse projeto tem a marca do Partido dos Trabalhadores”, completou.

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