Salvador

Lavanderias públicas de Salvador mantêm vivas a tradição e a história da cidade

São muitos os sambas que falam das lavadeiras e do seu trabalho. Essa é uma profissão tradicional das mulheres em Salvador, mas que muita gente acredita que acabou. A realidade não é bem assim. Salvador possui seis lavanderias públicas, com uma média de 68 lavadeiras cadastradas e que funcionam diariamente, das 8h às 17h. 
 
Uma das lavanderias é a Santa Luzia, que fica no Engenho Velho de Brotas, onde trabalha dona Déa Avilar de Jesus Oliveira, 84 anos. Ela conta que decidiu seguir essa profissão há 53 anos para estar perto dos quatro filhos. “Se eu ficasse o dia todo na fábrica, eles iam crescer sem ir para escola direito, longe do meu cuidado. [Trabalhando] aqui, eu consegui ver meus filhos e meus netos crescerem”, afirma.
 
O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), oferece espaço, água, eletricidade, ferro, tábua de passar e uma máquina de lavar por lavanderia. Os clientes devem ir diretamente às lavanderias, onde podem indicar uma das profissionais ou deixar por conta da coordenação. 
 
Os preços variam entre R$ 50 para uma trouxa de até 10 peças e R$ 74 para até 60 roupas. É possível fazer um plano mensal que varia entre R$ 200 e R$ 296. A lavanderia Aristides Novis, no Dique do Tororó, é uma das mais produtivas e possui clientes que enviam trouxas de cerca de 800 peças. 
 
A supervisora das lavanderias comunitárias, Aline Fontoura, destaca a importância dos espaços para a vida dos trabalhadores. “Essa é a única ou maior fonte de renda dessas pessoas. Lavar roupas não é bico, é uma profissão”, diz. 
 
As lavadeiras são responsáveis pela manutenção das lavanderias, que funciona como um grande espaço de convivência das mulheres da comunidade, que compartilham seu dia a dia enquanto lavam e passam. Jacilda Martins, 43, que trabalha desde os 17 anos na lavanderia Santa Luzia, comenta que “aqui nós somos uma família mesmo. Eu tenho muito orgulho de ser lavadeira. Eu convido qualquer pessoa para vir aqui e sair sem dar um sorriso, sem estar mais feliz”. 
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