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Baterias Elétricas: É a vez da Bahia

Estado pode ser polo de fabricação de insumos para a eletromobilidade

O mercado internacional acolheu em definitivo o veículo sustentável. Nesse contexto, a mineração baiana tem uma contribuição significativa e um destino de produção bem específico: a indústria de baterias elétricas. Embora o Brasil ainda esteja a passos lentos no que diz respeito à eletromobilidade, o comércio de veículos elétricos cresceu 78%, no primeiro quadrimestre de 2022, em comparação com o mesmo período do ano passado. O percentual foi divulgado pela a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), que destacou o contraste entre o crescimento dos eletrificados e a queda dos convencionais. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (FENABRE), houve uma variação negativa de 23% em relação aos quatro primeiros meses de 2021 – o pior desempenho no período desde 2002.

O relatório da Internacional Energy Agency (IEA – Agência Internacional de Energia) estima que, atualmente, 16 milhões de carros elétricos circulam, em todo mundo, com um consumo de eletricidade anual de aproximadamente 30 terawatt-hora (TWh), quantidade equivalente a toda energia produzida na Irlanda. O documento apontou que, em 2021, foram vendidos 6,6 milhões de eletrificados, mais que o dobro do ano anterior, quando foram comercializados 3 milhões. A liderança das vendas pertence à China, que comprou mais da metade do produto disponível no mercado, em 2021.

Matéria-prima baiana

Devido à produção de insumos minerais utilizados na fabricação de baterias para veículos elétricos, é possível dizer que a Bahia se insere nesse processo, que culmina no crescimento da eletromobilidade e o níquel é uma dessas substâncias. Estudos realizados pela Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), no período entre 1989 e 2000, estimaram um depósito de níquel na região de Itagibá, no Sul do estado, com recursos em torno de 40 milhões de toneladas de minério.

Graças à descoberta da CBPM, a Mirabela e, atualmente, a Atlantic Nickel fizeram da Bahia o maior produtor desse mineral no Brasil. A mineradora opera através de um contrato de pesquisa complementar e arrendamento firmado com a empresa pública baiana.

De acordo com informações divulgadas pela Atlantic Nickel, somente em abril, uma carga de mais de 10 mil toneladas saiu do Porto de Ilhéus, em direção à Finlândia, na Europa. Esse foi o terceiro embarque de exportação do produto este ano. Em 2021, a empresa obteve registros recordes na área operacional e no desempenho financeiro, quando exportou mais de 110 mil toneladas de níquel sulfetado, em 11 embarques no total.

Tais resultados legitimam as iniciativas realizadas nos últimos anos para desenvolver a atividade, principalmente no que se refere à pesquisa. De acordo com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), a Bahia foi o estado brasileiro que mais investiu em estudo mineral nos anos de 2019 e 2020, com a aplicação de recursos públicos e privados. Inclusive, descobertas recentes da CBPM devem aumentar a produção de níquel no estado. Em 2021, dentre as sete licitações realizadas pela companhia, está a de Campo Alegre de Lourdes, no Norte do estado, que também tem potencial para cobre e cobalto. Nesse caso, a empresa vencedora foi a Bahia Nickel, que está na fase de desenvolvimento de trabalhos de pesquisa complementar.

Para o diretor técnico da CBPM, Rafael Avena, a pesquisa é imprescindível para a descoberta de novos depósitos. “A CBPM, como empresa de desenvolvimento mineral vem desenvolvendo pesquisas minerais em todo o território baiano e, entre elas, estamos dando muita atenção aos minerais chamados de “Minerais do Futuro”, como o lítio, terras raras, grafita, fosfato, entre outros”, diz o diretor.

Outro mineral que também pode ser usado na produção de baterias para veículos eletrificados é o vanádio. A Bahia é o único produtor do minério na América Latina. A empresa responsável é a Largo Vanádio de Maracás (LVMSA), no município de Maracás, que também produz esse bem mineral em áreas descobertas pela CBPM. O cobre também é utilizado em condutores elétricos. O estado está entre os três maiores produtores brasileiros dessa substância, que é produzida pela Ero Brasil (Mineração Caraíba), nas cidades de Jaguarari, Juazeiro e Curaçá, e é exportada para África do Sul, Canadá, China e Índia.

Segundo o presidente da CBPM, Antonio Carlos Tramm, os índices que caracterizam o avanço continuado e inquestionável da eletromobilidade no mundo e a produção mineral baiana mostram o potencial do estado para a instalação de novas indústrias. “Se temos aqui as matérias-primas, por que ainda não temos produção das baterias elétricas aqui no estado, por exemplo? Num mercado cada vez mais conectado às tendências mundiais, é difícil compreender que ainda não tenhamos conhecimento, ao menos, da existência de projetos da iniciativa privada para a instalação de fábricas aqui na Bahia”, questiona Tramm.

Em 2020, a LVMSA lançou a Largo Clean Energy (LCE), com a previsão de produzir baterias com vida útil de 20 anos, mas levaram o projeto para Boston, nos Estados Unidos. “É preciso que o segmento da indústria de transformação atente para o promissor mercado de fabricação e exportação de produtos com valor agregado, a partir dos minérios produzidos aqui na Bahia”, pondera o presidente da CBPM.

A possibilidade de novos negócios como consequência da atividade mineradora, gera expectativas de mais benefícios para o estado e, principalmente, para as comunidades. O engenheiro de minas Pedro Lemos, que é diretor-financeiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia (CREA-BA) destaca os resultados positivos que os empreendimentos podem promover. “A rigidez de localização do minério faz com que o desenvolvimento econômico para a região seja inevitável, pela criação de empregos diretos e indiretos, pelo desenvolvimento do comércio local e regional, e o acréscimo de receita para os municípios por meio da arrecadação tributária”, diz o engenheiro.

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