“O Brasil não cabe no quintal de ninguém”, diz Lula na ONU ao defender soberania nacional
Presidente afirma que país quer parceiros para o desenvolvimento e rejeita interferências externas em assuntos brasileiros

A defesa da soberania brasileira foi um dos principais pontos do discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU.
Ao abordar a situação da América Latina e do Caribe, Lula afirmou que a proximidade geográfica com os Estados Unidos é uma realidade, mas declarou que o Brasil deve manter autonomia nas suas decisões políticas e econômicas.
“O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva, que fomente o desenvolvimento.”
A declaração ganhou destaque na cobertura internacional do discurso e foi interpretada como uma defesa da autonomia brasileira diante de possíveis tentativas de influência externa.
Lula também afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre os países latino-americanos e defendeu o princípio de que cada nação deve ter o direito de definir seu próprio destino.
No discurso, o presidente citou ainda Venezuela, Nicarágua e Cuba. Sobre a Venezuela, afirmou que “o povo venezuelano merece definir o próprio destino”. Em relação à Nicarágua, defendeu que a crise política não seja enfrentada impedindo a participação da oposição em eleições. Também criticou o embargo econômico contra Cuba.
Soberania também na economia e nos recursos naturais
O conceito de soberania apresentado por Lula não ficou restrito à política externa.
O presidente afirmou que as riquezas naturais brasileiras, incluindo minerais críticos e terras raras, pertencem ao povo brasileiro e que sua exploração deve resultar em geração de valor no país, transferência de tecnologia e atendimento de setores estratégicos nacionais.
Lula também defendeu a manutenção do Pix como infraestrutura pública e gratuita de pagamentos, afirmando que o Brasil não deve ceder a pressões de empresas multinacionais que pretendam privatizar o sistema.
Na área de segurança, o presidente afirmou que o Brasil não precisa de forças militares estrangeiras para proteger suas águas e fronteiras e defendeu, em seu lugar, cooperação internacional para combater o tráfico de armas e o fluxo financeiro do crime organizado.
O discurso terminou com uma afirmação direta sobre a autonomia nacional:
“A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano. Ninguém nos afastará desse caminho.”



