Lula perde 3,4 milhões de votos em relação a 2022, recua em 25 estados e enfrenta desafio para o segundo turno
Resultado do primeiro turno mostra avanço de Flávio Bolsonaro no Sul e Sudeste, redução da votação petista em importantes colégios eleitorais e manutenção da força de Lula no Nordeste

O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 acendeu um alerta para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar de continuar com forte apoio no Nordeste, o petista registrou redução de sua votação nacional em comparação com 2022 e chega ao segundo turno diante de um cenário mais desafiador.
De acordo com os dados da apuração divulgados pelo UOL, Lula recebeu 53.879.538 votos no primeiro turno de 2026, contra 57.259.504 na eleição anterior. A diferença representa uma perda de 3.379.966 votos. Sua participação nos votos válidos caiu de 48,43% para 45,16%.
O recuo ocorreu em 25 das 27 unidades da Federação quando considerada a proporção de votos válidos. Em números absolutos, Lula perdeu votos em 19 estados e no Distrito Federal? Não: o levantamento aponta aumento absoluto em oito unidades da Federação, incluindo o Distrito Federal, e redução nas outras 19.
O resultado nacional colocou Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Lula por aproximadamente 2,3 milhões de votos, confirmando uma disputa acirrada para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Nordeste continua sendo o principal reduto de Lula
A região Nordeste permaneceu como o principal ponto de sustentação eleitoral do presidente. Lula obteve aproximadamente 21,5 milhões de votos na região, correspondentes a 63,77% dos votos válidos, contra cerca de 10,4 milhões de Flávio Bolsonaro.
A vantagem nordestina de Lula, contudo, diminuiu em relação à eleição de 2022. Flávio ampliou sua votação na região em aproximadamente 1,6 milhão de votos, na comparação com o desempenho de Jair Bolsonaro no primeiro turno anterior.
A Bahia continuou sendo um dos principais pilares da votação petista. Lula recebeu 5.664.771 votos no estado, equivalentes a 66,17% dos votos válidos. Apesar da liderança expressiva, foram 208.310 votos a menos que em 2022.
O crescimento de Flávio Bolsonaro no Nordeste também merece atenção. Bahia, Ceará, Maranhão e Alagoas aparecem entre os estados que contribuíram para a expansão da votação bolsonarista, ainda que Lula tenha mantido a dianteira regional.
São Paulo e Minas Gerais pesam contra o presidente
O Sudeste foi decisivo para o resultado nacional. Lula perdeu aproximadamente 1,8 milhão de votos na região em comparação com 2022, com quedas expressivas em São Paulo e Minas Gerais.
Em São Paulo, o petista recebeu 9.505.413 votos, uma redução de 984.619 em relação ao primeiro turno anterior. Em Minas Gerais, foram 5.188.936 votos, queda de 613.635.
No Sul, a retração também foi significativa. Lula perdeu cerca de 973 mil votos na comparação entre os dois primeiros turnos de 2022 e 2026. O Rio Grande do Sul registrou redução de 511.913 votos; o Paraná, de 308.895; e Santa Catarina, de 152.048.
No Centro-Oeste, a diminuição foi de aproximadamente 363 mil votos. Goiás apresentou uma das maiores quedas proporcionais do país, de 8,45 pontos percentuais, e o desempenho do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), que alcançou cerca de 12% no estado, também influenciou a configuração eleitoral regional.
Onde Lula ganhou e perdeu votos
A comparação abaixo considera a votação absoluta de Lula no primeiro turno de 2026 em relação ao primeiro turno de 2022. Os números mostram que o aumento na quantidade de votos não significou necessariamente crescimento na participação percentual.
| Estado ou unidade da Federação | Variação de votos |
|---|---|
| Acre | +5.748 |
| Alagoas | +21.303 |
| Amapá | +15.121 |
| Amazonas | +27.312 |
| Bahia | −208.310 |
| Ceará | −23.092 |
| Distrito Federal | +26.093 |
| Espírito Santo | −47.320 |
| Goiás | −265.843 |
| Maranhão | −37.153 |
| Mato Grosso | −52.067 |
| Mato Grosso do Sul | −71.468 |
| Minas Gerais | −613.635 |
| Pará | −16.493 |
| Paraíba | −13.741 |
| Paraná | −308.895 |
| Pernambuco | −4.351 |
| Piauí | +5.702 |
| Rio de Janeiro | −154.122 |
| Rio Grande do Norte | −26.216 |
| Rio Grande do Sul | −511.913 |
| Rondônia | −11.082 |
| Roraima | +5.660 |
| Santa Catarina | −152.048 |
| São Paulo | −984.619 |
| Sergipe | +27.303 |
| Tocantins | −30.294 |
Fonte: levantamento do UOL com base na totalização dos resultados dos primeiros turnos de 2022 e 2026.
São Paulo lidera as perdas absolutas de Lula, seguido por Minas Gerais e Rio Grande do Sul. A Bahia, embora continue sendo um importante reduto eleitoral petista, também registrou redução expressiva.
Entre os estados onde Lula aumentou sua votação nominal, destacam-se Sergipe, Amazonas, Distrito Federal e Alagoas. Mesmo nesses casos, o percentual de votos válidos caiu em algumas unidades da Federação, mostrando que o crescimento em votos absolutos não representa necessariamente avanço proporcional.
Como fica o cenário para o segundo turno?
A disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro começa com vantagens regionais diferentes. O candidato do PL terminou o primeiro turno à frente no resultado nacional, impulsionado principalmente pelo Sul e Sudeste. Lula, por sua vez, mantém ampla vantagem no Nordeste, mas enfrenta o desafio de recuperar parte dos votos perdidos em estados decisivos.
Para Lula, uma das prioridades será reduzir a diferença em São Paulo e Minas Gerais, além de fortalecer sua votação no Sul e no Centro-Oeste. Também será importante preservar sua liderança no Nordeste, onde a campanha adversária demonstrou capacidade de crescimento.
Flávio Bolsonaro precisará manter a vantagem conquistada no Sul e no Sudeste e buscar novos avanços no Nordeste, especialmente nos estados onde ampliou sua votação em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro em 2022.
Outro fator importante será a mobilização dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno, além da capacidade de cada campanha de conquistar votos de candidatos que ficaram fora da disputa presidencial.
O resultado de 2026 indica que o Nordeste continua decisivo para Lula, mas já não é suficiente analisar apenas a força eleitoral regional do presidente. O desempenho nos maiores colégios eleitorais do país e a capacidade de reduzir a vantagem adversária poderão definir o resultado final.
A eleição permanece aberta. O primeiro turno estabeleceu uma vantagem nacional para Flávio Bolsonaro, enquanto Lula conserva uma base eleitoral expressiva. O segundo turno será decidido pela capacidade de cada candidatura de ampliar alianças, mobilizar eleitores e conquistar votos além de seus redutos tradicionais.



