Oceana envia 150 tonéis para recolher óleo na Bahia

Ação contribui para o armazenamento e transporte adequados do óleo, evitando danos ambientais e para a saúde humana

A Oceana enviou, na quarta-feira passada (6/11), 150 tonéis para a Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia (Sudec) para apoiar a mitigação dos impactos ambientais do óleo que chega à costa brasileira. O estado já teve, até o momento, 31 municípios atingidos.

“Estamos acompanhando as ações e observamos que o condicionamento do óleo é uma tarefa difícil, afirma o diretor-geral da Oceana, Ademilson Zamboni.” “As doações vão apoiar os municípios e a Defesa Civil na mitigação do problema, contribuindo para que a substância seja armazenada e transportada de forma adequada”, comentou.

O time da Oceana já percorreu parte do litoral nordestino, mapeando ações com pescadores que possam minimizar os impactos do óleo. Também foram divulgadas recomendações de segurança e cuidados com a saúde.

A distribuição dos materiais na Bahia está sendo acompanhada pelo superintendente da Sudec, Paulo Sérgio Luz. “É importante termos uma parceria com as empresas privadas e órgãos não governamentais para reforçar as ações de restabelecimento e resposta a esse desastre que está afetando a normalidade em todo litoral nordestino, especialmente na Bahia”, declarou Luz.

DESASTRE AMBIENTAL

Manchas de óleo são vistas ao longo do litoral nordeste do país desde o dia 30 de agosto. De acordo com o Ibama, já são 385 localidades afetadas diretamente, em todos os nove estados da região. Até 7 de novembro, o órgão ambiental também registrou a ocorrência de 128 animais oleados, dos quais 95 morreram.

Mais de 4 mil toneladas de resíduos de óleo misturados com areia já foram recolhidas em todos os estados da região com a ajuda de voluntários. O descarte está a cargo das secretarias estaduais de Meio Ambiente. Este já é considerado o maior desastre ambiental em extensão territorial registrado no Brasil.

A origem do óleo ainda está sob investigação. “Se tivéssemos o rastreamento de embarcações em todo o mundo, que serve tanto para transporte de petróleo quanto para a pesca, poderíamos ter informações mais evidentes. Agora precisamos aguardar as investigações”, afirmou Zamboni.

No caso específico do óleo que está chegando às praias brasileiras, destacou-se o fato do governo não ter acionado o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo em Águas sob Jurisdição Nacional imediatamente. O documento está pronto desde 2013 e reúne o que deveria ser feito em casos como esse.

“Os grandes focos neste momento deve ser plano de contenção para prevenir que o óleo alcance ecossistemas sensíveis e de difícil remoção desse contaminante, e um plano para acondicionar adequadamente do óleo recolhido”, disse.

VIDA MARINHA

Ainda não é possível dimensionar, no momento, qual é o impacto sobre a vida marinha, mas pesquisas e expedições estão sendo organizadas para fazer esse mapeamento. “Sabemos que quando o óleo afeta as tartarugas e os golfinhos, por exemplo, no que se chama de contaminação direta por contato, outros organismos marinhos já terão sido afetados”, informou Zamboni. São seres bem mais sensíveis que vivem na coluna d´água ou no fundo e que fazem parte da cadeia alimentar. Os peixes também são contaminados e sua comercialização afetada pela perda de qualidade.

De acordo com o diretor-geral da Oceana, é preciso entender também qual o dano sobre os ambientes mais frágeis. Tirar um óleo com essas características de uma praia arenosa pode ser bem menos complexo do que mangues e costões rochosos — por exemplo. É importante lembrar que os mangues são os berçários de muitas espécies e de atividades pesqueiras tradicionais na região afetada. E quanto mais tempo o óleo persiste nesses lugares, pior é o dano.

Outro grande problema é que não sabemos quanto óleo ainda está para chegar na costa. E pode ser que essa situação ainda perdure por algum tempo, como o próprio presidente da República afirmou. Por isso, as medidas de contingenciamento são extremamente importantes para evitar o aumento da contaminação e proteger áreas que ainda não foram atingidas.

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