Socialistas dão primeiro passo no processo de autorreforma do PSB, para se organizar para 2020 e 2022

Durante 4 dias o PSB (Partido Socialista Brasileiro), junto a mais de 300 filiados discutiram o documento-base que traz um diagnóstico da crise do sistema político e propostas inovadoras para o país.

O texto foi analisado por cinco grupos temáticos, que ao final apresentaram suas propostas. Uma comissão irá adaptá-las ao documento que será colocado em consulta pública durante o ano que vem. Caravanas serão realizadas em todos os Estados.

Diante de um governo que flerta com o autoritarismo e que promove ataques à democracia e ao patrimônio estratégico do país, a autorreforma se faz ainda mais importante para que os socialistas reflitam sobre o papel que cumpriram nesses mais de 70 anos de vida política e que ainda têm de cumprir.

“Desde seu início, em 1947, com a junção de setores médios da sociedade e de operários, da intelectualidade brasileira, o PSB teve sempre muito próximo das preocupações de melhorar as condições de vida do povo, que continua difícil”, afirmou.

“Eu acho da maior importância que a gente entenda que o Partido Socialista, de um lado, não pode deixar de cumprir seu papel de resistência, mas também não pode deixar de pensar num projeto para o Brasil”, afirmou.

Para Alencar, o PSB nunca se afastou dos compromissos com os mais pobres e, portanto, precisa enfrentar “essa afeição deformada com todos esses absurdos” que um governo conservador e de ultradireita impõe ao país com sua agenda de retrocessos sociais.

Quando a política é criminalizada, e os partidos são vistos como “mobiliários do século passado”, o PSB se dispõe a fazer uma autorreflexão, não sob pressão, mas com a consciência da necessidade de tomar atitudes para guiar o futuro como um partido de centro-esquerda, declarou o socialista.

“O PSB se dispõe, não tragado pela força, como a força das ruas de 2013, quando o Congresso Nacional praticamente aprovou e deliberou medidas sob a pressão popular. Aqui não estamos fazendo isso sob pressão”, disse o líder do PSB.

Foto: Humberto Pradera

“É muito importante que nós possamos reafirmar os nossos valores históricos, os nossos compromissos com o povo brasileiro. Mas também voltar a ser aquilo que os partidos políticos não podem deixar de ser, sob pena de caminhar para o esquecimento, para o rodapé da história”, declarou.

Tadeu Alencar afirmou que o esforço de toda a militância na Conferência Nacional da Autorreforma reflete o sentimento e a clareza do partido de ocupar um vazio que existe na política. “Esse vazio decorre dessa incompreensão que não vamos sair dos problemas monumentais que enfrentamos pelos extremos”, disse.

“Sei que esse é um esforço de todo o nosso partido, e decorreu da sua visão clarividente de enxergar a necessidade dessa atualização, para reafirmar os nossos valores e compromissos com a justiça, com a democracia, com a liberdade, e com a justiça social”, afirmou.

A autorreforma é a preparação do PSB para se colocar “muitos tijolos”, a fim de estruturar uma saída para a política e para os gargalos estruturais que, muitas vezes, a esquerda brasileira não teve capacidade de responder positivamente e proativamente aos desafios do país, analisou Alencar.

Alencar destacou ainda o orgulho que sente em liderar a bancada socialista na Câmara, para quem vem cumprindo m papel de enfrentamento contra “todos esses ataques”. “São muitas trincheiras, mas estamos procurando retribuir a confiança do povo com trabalho, seriedade e capacidade de debate”, declarou.

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