Sessão especial pela passagem dos 50 anos de morte de  Carlos Marighella é realizada na ALBA

A sessão especial pela passagem dos 50 anos de morte de  Carlos Marighella foi marcada por muita poesia e música, no plenário da Assembleia Legislativa da Bahia, na tarde de desta quinta-feira (7). O ato, que foi proposto pelo deputado Hilton Coelho (Psol), celebrou a memória militante político e intelectual, defendendo a importância da resistência ao atual contexto político nacional. 
 
Poesias escritas por e para Marighella, músicas reverenciando sua luta foram recitadas pelo ator Jackson Costa, pelo grupo Simples Rap’ortagem, pelo Movimento Sem Teto da Bahia, Dulce Aquino, da Comissão Nacional da Verdade e pelo grupo Sarau da Onça. “É importante a gente refletir sobre a história do militante Marighella. Para que aqueles que ocupam hoje o Palácio do Planalto não a silenciem. Eles têm medo da cultura, da arte, do pensamento crítico”, disse o ator Wagner Moura, em mensagem enviada ao evento. O ator dirigiu um filme sobre militante que teve o lançamento cancelado no circuito comercial brasileiro.
 
Sobre a celebração da memória através da arte, o deputado Hilton Coelho declarou: “Nos últimos 34 anos desde o fim da ditadura militar, o delegado Sérgio Fleury, artífice da emboscada que assassinou Carlos Marighella na Alameda Casa Branca, não foi lembrado e muito menos homenageado. Para ele, e para Carlos Alberto Brilhante Ustra, não foram feitas canções e poemas, estátuas e nem monumentos. Seus nomes não batizaram escolas, praças, ruas e avenidas. Estão mortos, e assim permanecerão. Marighella vive. Fleury e Ustra estão mortos”.
 
Para o professor Ricardo Sizílio, é importante que obras artísticas abordem a história do baiano, que era filiado ao Partido Comunista Brasileiro, conhecido como inimigo nº 1 da ditadura militar.
 
De um dos seus biógrafos, o jornalista Emiliano José, veio à resposta para tamanha admiração e respeito. “As ideias dele permanecem em nós. Reconhecemos na sua militância as maiores causas do povo brasileiro. A sua coragem é importante também hoje, quando o neofascismo está acabando com nossa soberania”. O jornalista destacou o filho do militante, Carlinhos Marighella, 71 anos, como o protetor da memória do pai.
“Uma das homenagens mais lindas que meu pai recebeu na Bahia foi a alteração do nome do Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici para Colégio Estadual Carlos Marighella. A todos professores, gestores e estudantes da escola, eu agradeço imensamente”, disse o filho do militante.
 
Carlinhos disse que seu pai foi  um homem de ação, objetivo. E convidou a todos a se comprometerem numa série de metas para reverenciar a memória de Marighella. “A primeira é a celebração de eventos para que possamos destacar sua vida e sua história, assim como esse. Também estamos pensando na criação de um instituto com materiais para que pesquisadores possam se debruçar sobre a vida do militante político”, disse. 
 
Carlinhos também solicitou do município de Salvador proteção ao túmulo do pai, lugar onde estão os seus restos mortais e pediu empenho dos políticos baianos para trocarem nomes de escolas e ruas que celebram ditadores.
 
MARIELLE
 
A ascensão da direita ao poder, representada pelo presidente Jair Bolsonaro, esteve como pano de fundo de parte das falas dos presentes. 
No evento, a esquerda esteve presente com movimentos sociais, com representantes da sociedade civil, pesquisadores, políticos do Psol e os deputados estaduais do PT Robinson Almeida Lula, Jacó Lula da Silva, Fátima Nunes Lula e Maria del Carmen Lula. 
 
Os ex-presos políticos que participaram da sessão avaliaram o atual contexto como momento difícil e disseram que é preciso ter força para resistir. Muitos defenderam a derrubada do governo Bolsonaro “pelas inúmeras falas absurdas e pelo ataque a soberania nacional”. 
 
Uma relação entre a história da vereadora do Rio de Janeiro que foi executada com cinco tiros, Marielle Franco, com Marighella também esteve presente nos discursos. “Aqueles que assassinaram Marighella estão juntos daqueles que assassinaram Marielle”, disse Milton Pinheiro, da direção do Partido Comunista Brasileiro (PCB).
 
Marighella foi anistiado em 2012. Em 1996, o Estado brasileiro reconheceu a responsabilidade pela morte dele. 
Mostrar Mais

Artigos Relacionados

Deixe uma resposta

Close
%d blogueiros gostam disto: