Mulheres unidas contra a reforma da Previdência lotam auditório Nereu Ramos

O auditório Nereu Ramos ficou lotado na manhã de quinta-feira (11/4): mulheres de movimentos sociais, centrais sindicais, sociedade civil organizada e parlamentares se uniram no ato “Mulheres unidas em defesa da aposentadoria”, idealizado pela Liderança da Minoria, juntamente com a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

A deputada socialista Lídice da Mata (BA) esteve presente ao evento e reforçou a importância de unir as mulheres para debater e lutar contra o retrocesso de direitos previsto na Proposta de Emenda à Constituição que trata da Reforma da Previdência (PEC nº 6/2019). “Esse movimento diz ao Congresso que não aceitaremos uma reforma que pretende impedir as mulheres de se aposentar. O texto deposita mais peso nos ombros da mulher brasileira, que já tem enorme carga dentro e fora de casa. As mulheres vão para as ruas impedir essa reforma draconiana, seremos vitoriosas nessa luta”, afirmou.

As cadeiras com balões roxos e amarelos escritos não à PEC nº 6/2019 simbolizaram a insatisfação das mulheres presentes com a proposta enviada pelo governo federal. As centrais sindicais e movimentos sociais presentes, como a Central Única de Trabalhadores (CUT), a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), entre outras, defenderam greve geral para barrar o que consideram mais um desmonte do Estado brasileiro.

As participantes do evento foram unânimes ao afirmar que o texto da PEC, além de retirar direitos constitucionais, é mais cruel com as mulheres na medida em que aumenta o tempo de contribuição sem levar em consideração a dupla, e até tripla jornada feminina. Também foi destaque o fato de as mulheres estarem em maior número na informalidade e receberem menores salários, mesmo exercendo a mesma função que os homens, afetando, em especial, professoras, trabalhadoras rurais, pensionistas e servidoras públicas que serão profundamente prejudicadas com a proposta.

A líder da Minoria, deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), foi taxativa “Não temos tempo a perder. A luta virtual é importante, mas, sozinha, não funciona. Tem que montar banquinhas nas ruas, olhar no olho. E as mulheres são sensacionais nisso”. O grito “se votar, não volta” foi entoado por diversas vezes durante o encontro, dando o recado sobre a dificuldade que terão de se reeleger os parlamentares que votarem favoravelmente à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que trata da reforma da Previdência. Nesse sentido, a deputada Luiza Erundina (PSOL-SP) convocou as trabalhadoras e trabalhadores a estarem presentes no Congresso, lembrando que foi dessa forma que grandes avanços – gora ameaçados -, como a Constituição Federal, foram conquistados.

Reforma reforça desigualdades – Representando as centrais sindicais, Nayana Cambraia explicou por que o desmonte da Previdência Social reforça as desigualdades de gênero e de raça. “Ainda não alcançamos a igualdade e essa PEC nos leva ainda mais para trás. Nós somos 52% dos desempregados e o número de mulheres na informalidade é 42% maior [em relação ao de homens]. Nossas condições de trabalho são diferentes e não respeitar isso fere a Constituição. Diante dessas circunstâncias, muitas mulheres não conseguem contribuir por 15 anos. Como vão fazer por 20? Essa aposentadoria não vai existir”, pontuou a militante.

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ), que já trabalhou como empregada doméstica e camelô, foi enfática: “A reforma é o trabalho escravo. Já conhecemos as senzalas desse País e querem que a gente volte para lá. A gente quer viver!”, clamou.

Outras lideranças de destaque do campo progressista marcaram presença. A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) bradou sobre o peso da dupla ou até tripla jornada das mulheres. Já a deputada Erika Kokay (PT-DF) falou em “arrancar a faixa presidencial que está no peito do fascismo” e Maria do Rosário (PT-RS) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) também se fizeram presentes, bem como parlamentares da “nova geração”, como Talíria Petrone (PSOL-RJ), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS).

O ato reuniu representantes de 25 entidades sindicais, senadora e deputadas do PSB, PT, PDT, PCdoB, Rede, PSOL, PROS e também do MDB, PP, PSDB e DEM. Entre os homens, os deputados Marcelo Freixo (PSOL-RJ), Paulo Pimenta (PT-RS), Alessandro Molon (PSB-RJ), Túlio Gadêlha (PDT-PE), José Guimarães (PT-CE), Ivan Valente (PSOL-SP) e André Figueiredo (PDT-CE) apoiaram o ato.

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