Festival Literário Nacional é encerrado com dia dedicado à arte da periferia

Nesta sexta-feira (15), Dia da Proclamação da República, a população de Cajazeiras acordou cedo para um compromisso importante. O último dia da primeira edição do Festival Literário Nacional (Flin) reuniu poesia, música e contação de histórias. Durante quatro dias, escritores e atrações culturais ocuparam os espaços do evento, realizado no Ginásio Poliesportivo de Cajazeiras, em Salvador.
 
A atração principal do último dia foi a jornalista e humorista Maíra Azevedo, conhecida como Tia Má. “É muito importante a realização de um evento dessa magnitude numa região periférica como Cajazeiras. Periferia é potência, é uma região onde toda a nossa criatividade deve estar o tempo todo a postos”, afirmou. 
 
Para a secretária de Cultura do Estado, Arany Santana, “a primeira edição do Flin superou as nossas expectativas. Em primeiro lugar, conseguimos atingir o nosso objetivo: 80% das pessoas que estiveram nesse espaço foi a juventude artística do entorno e oriunda das 21 escolas estaduais desse território. Em segundo lugar, o grande parceiro da educação são os pais, que também se fizeram presentes. Além disso, os artistas que trouxemos para dialogar com os artistas daqui são oriundos da periferia. Isso é fruto de uma construção coletiva, com a adesão das secretarias estaduais e articulação com escolas, associações e policiais da região”. 
 
De Cajazeiras, o Coletivo Jaca mandou o papo reto em forma de música e poesia. Poeta e músico do coletivo, Marcos Paulo de Oliveira destacou a importância da literatura para a periferia. “O nosso coletivo se organiza em torno de direitos para a população negra no bairro. Estamos há 15 anos lutando por direitos humanos e encontramos na literatura uma ferramenta para resgatar esses direitos. A literatura permite que nós tenhamos voz e possamos falar dos nossos problemas. A poesia da periferia é fundamental”.
 
Nos estandes das editoras, as famílias procuraram livros que mais atendessem aos seus gostos e necessidades. A estudante Manjhara Ressoti, 13 anos, estava em dúvida sobre qual livro comprar. “É meu primeiro dia aqui na feira. É importante que as pessoas leiam mais. Elas podem aprender com todos os livros”. A mãe de Manjhara, Bárbara Alcântara, aprovou o evento. “Eu trouxe minha filha porque queria que ela conhecesse a feira e desenvolva um pouco mais a vontade de ler e também incentive os amigos e colegas dela”.
 
Lançamentos
 
Nesta sexta (15), durante o Flin, houve ainda o lançamento do livro ‘Afluentes Poéticos’, organizado pela escritora Alessandra Sampaio. “Nós optamos por lançar aqui porque a Flin reúne o universo de estudantes do bairro e também porque o livro foi produzido na Colégio Estadual Ana Bernardes, que fica em Cajazeiras. Nada mais importante do que este livro estar aqui”. 
 
Escritor participante do livro, Joceval Nascimento concordou com Alessandra. “Este livro tem uma pegada coletiva. Nós produzíamos poesias na escola e reunimos esses escritos para fazer uma coletânea, potencializando essa capacidade que a gente já desenvolvia”.
 
Já a escritora novata Erica Dantas apresentou o primeiro livro nesta que foi a primeira feira literária que participou. “Para mim, estar aqui representa uma coisa maravilhosa. Eu estou muito feliz e agradeço muito à Flin. Participar da feira é muito bom porque a gente cresce junto com isso. Aqui a gente consegue conversar com o público, o que me dá mais vontade de escrever”.
 
O evento foi realizado pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult), via Fundação Pedro Calmon (FPC), com a parceria das secretarias da Administração (Saeb), Comunicação Social (Secom), Educação, Meio Ambiente (Sema), Saúde (Sesab), Políticas para as Mulheres (SPM), Promoção da Igualdade Social (Sepromi), Tecnologia e Ciência (Secti) e de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), além da Superintendência de Fomento ao Turismo (Bahiatursa) e da Fundação Cultural do Estado (Funceb)
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