Assembleia Legislativa da Bahia concedeu a Comenda 2 de Julho a Isabela Giordano Gil Moreira, mais conhecida como Bela Gil

No Dia Mundial da Alimentação, a Assembleia Legislativa da Bahia concedeu a Comenda 2 de Julho a Isabela Giordano Gil Moreira, mais conhecida como Bela Gil. A honraria foi proposta pelo deputado Marcelino Galo Lula (PT) e entregue à nutricionista durante sessão especial no Plenário Orlando Spínola.
 
Com a presença de militantes de movimentos sociais, sindicais, produtoras e produtores rurais e os deputados Maria del Carmem Lula (PT), Neusa Cadore Lula (PT) e Zé Raimundo Lula (PT), a homenagem se transformou num grande ato pela alimentação saudável, sustentável, a agroecologia e pela reforma agrária. Bandeiras defendidas por Bela Gil, que, além de nutricionista, é cozinheira e apresentadora. O sobrenome famoso denuncia o parentesco com o cantor e compositor Gilberto Gil, Bela, assim como o pai, é baiana e agora é a mais nova comendadora da Bahia. 
 
Marcelino Galo disse que os parlamentares entenderam a importância da homenagem, que além de ter concedido a honraria por unanimidade, abriram mão da sessão ordinária realizada nas quartas-feiras e a transformou em sessão especial para a entrega da comenda. “A luta e os diálogos que ela trava com a sociedade sobre alimentação saudável são as justificativas para a concessão da honraria”, afirmou o deputado. 
Assim como Bela Gil, o deputado acredita que o alimento precisa ter qualidade, sem veneno, que preserve o meio ambiente, e que não tenha sido produzido com mão de obra escrava. “Esse tipo de alimentação que defendemos entra em conflito com os interesses de gente poderosa e que tem no envenenamento da comida a sua fonte inesgotável de lucro”.
 
“A nossa comida é produzida por gente que coloca veneno nos alimentos, ocupa e destrói territórios, expulsa as comunidades tradicionais, contamina os solos, utiliza e esgota os lençóis freáticos e acaba com a fauna e a flora, seca nossas nascentes para produzir soja, milho e frutas que viram commodities e que deixam as pessoas fracas e doentes para consumir os remédios que fabricam”, disse Galo.
O líder do PT na ALBA destacou o ritmo de liberação de agrotóxicos em 2019, o maior número já registrado na história. Sobre o fato, a nova comendadora baiana também se pronunciou. Para ela, o Governo Federal tem ido na contramão do que o mundo acredita, o caminho para uma alimentação mais saudável, mais agroecológica, menos veneno. Bela Gil indica que a opção é os estados criarem zonas livres de agrotóxicos, como já está acontecendo em Florianópolis. “Os estados e municípios têm essa autonomia e pode ser o caminho para a luta contra a flexibilização dos agrotóxicos no mundo”.
 
POLÍTICA
 
“Comer é um ato perigoso para quem vive na cidade”, disse Maria Kazé, da Coordenação Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). A militante afirmou que o dia 16 de outubro é um dia de comemoração e também de denúncia. “Estamos num momento de muita luta. Só produzimos na nossa comunidade alimentos saudáveis, mas não estamos imunes à alimentação industrializada, que chega nas nossas casas também”. Para Kazé, nas zonas urbanas é mais fácil o acesso à comida industrializada e que isso está afetando a saúde das pessoas. 
Bela Gil acredita que a sociedade precisa pressionar para aprovação de legislações mais severas contra os agrotóxicos. “A Bancada Ruralista, na Câmara dos Deputados, é muito forte, poderosa e numerosa. Precisamos muito da sociedade civil para pressionar os deputados para aprovarem o PL de redução dos agrotóxicos”.
 
Para ela, comer é um ato político quando as pessoas têm oportunidade de escolha, realidade que reconhece não existir. “Precisamos democratizar o acesso à alimentação saudável e só vamos conseguir com o acesso à terra. Por isso, luto pela Reforma Agrária, o Brasil tem uma concentração de terra muito grande. A gente também precisa lutar contra a desigualdade de classes, de raça e gênero, sem isso não teremos alimentação saudável”. 
 
HOMENAGEADA
 
Sobre a comenda, a irmã de Bela Gil, Nara Gil, relatou a determinação, “a teimosia obstinada” da irmã pelo bom uso da terra e o orgulho da família pela homenagem recebida. 
Bela Gil, de forma emocionada, dividiu a honraria com agricultoras e agricultores familiares que lotaram o plenário da ALBA para homenageá-la. “A Bahia é minha terra, meu lugar do coração. A Bahia é muito especial enquanto território que abriga três biomas do Brasil para produção de alimentos, tem uma diversidade enorme de alimentos que precisa preservar, cultivar”, declarou. 
“A comenda me dá mais força para continuar neste caminho. Agradeço essa homenagem porque é uma injeção de ânimo para continuar nesse caminho de luta por uma alimentação mais saudável”.
FEIRA
 
Em comemoração ao Dia Mundial da Alimentação, a Assembleia recebeu a Feira Agroecológica com produtores e produtoras da agricultura familiar comercializando produtos orgânicos para funcionários e visitantes da ALBA. A feira, que já faz parte do calendário mensal de eventos da Casa, aconteceu de maneira extraordinária para celebrar a data.
Bela Gil visitou a feira e disse que nela está representada a biodiversidade e a riqueza cultural da Bahia. “É uma forma bacana de reconhecer o trabalho das produtoras, a maioria ali era de mulheres, e mostra a força feminina no movimento agroecológico. Elas fazem a coisa acontecer”. 
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